Câmara do Chile aprova legalização do casamento homoafetivo

Projeto vai ao Senado, onde tem maioria; embora liberal em questões identitárias, o Chile levou um extremista de direita ao segundo turno da eleição presidencial

PLENÁRIO DO CNGRESSO DO CHILE

(Reuters) – A Câmara dos Deputados do Chile aprovou ontem um projeto de lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, enviando a medida de volta ao Senado, onde ela parece ter o apoio necessário para se tornar lei.

O projeto originário do Senado foi aprovado pela Câmara com 97 votos a favor e 35 contra. Por conta de algumas alterações no projeto na Casa, a medida agora deve ser votada novamente no Senado antes de ser sancionada pelo presidente de centro-direita Sebastian Piñera, que já anunciou seu apoio.

O Chile tem há tempos a reputação de ser um país conservador, mesmo se comparado com seus pares latino-americanos profundamente religiosos. No primeiro turno da eleição presidencial do país, um candidato de extrema-direita, que faz elogios ao legado do ditador Augusto Pinochet, saiu em primeiro lugar, e parece ter a vantagem para a eleição de segundo turno em dezembro.

Ainda assim, o Chile já demonstrou sinais de que está se deslocando para a esquerda em questões sociais e culturais nos últimos anos, e uma maioria grande de chilenos hoje apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

As uniões civis homoafetivas são permitidas no Chile desde 2015, permitindo que parceiros do mesmo sexo tenham muitos, porém não todos os benefícios de casais unidos em matrimônio, como o direito à adoção.

Entre as edições feitas pela Câmara dos Deputados estão a adoção de terminologias de gênero neutro.