Exército e PF preparam ataque a garimpeiros ilegais no Rio Madeira

Centenas de balsas ocupam o rio em busca de ouro e invasores dizem que vão resistir à ação repressiva

Em conjunto com o Ibama e o Ministério da Defesa, a Polícia Federal se articula para conter o avanço do garimpo ilegal no Rio Madeira. Centenas de balsas de garimpeiros estão reunidas no rio, onde há relatos de que um grande volume de ouro foi encontrado.

A PF não deu detalhes da operação. Conforme o Estadão informou ontem, com fotos da Reuters, garimpeiros já estavam cientes da mobilização policial e, em trocas de mensagens, falaram em reação caso sejam abordados. Para retirar o ouro do fundo do rio, as balsas sugam a terra com mangueiras. A prática causa graves danos ambientais.

Os garimpeiros já estavam cientes da mobilização policial que pretende dar fim ao que se converteu em uma “Serra Pelada” fluvial. Em mensagem enviada no fim da manhã de quarta-feira, por meio de Whatsapp, um garimpeiro já avisava aos demais que “está saindo de Manaus um comboio de Exército, Polícia Federal e Ibama” para a região onde estão as balsas, nas proximidades do município de Autazes. “Está lotado, mano, e subindo para a banda daí, viu.”

No comando das balsas clandestinas, garimpeiros também prometeram reação caso sejam abordados. Em outra mensagem de áudio obtida pela reportagem, um homem fala em montar um “paredão” de balsas, com pessoas ao redor dos equipamentos, para reagir a qualquer tipo de abordagem para fiscalização. “Vocês que têm muita balsa aí, (tem que) fazer um paredão mesmo daqueles e esperar todo mundo aí na frente da balsa. Um atrás, um na frente e ver o que é que dá. Eles vão respeitar, entendeu?”

O garimpeiro lembra ainda episódios em que grupos invadiram e queimaram unidades do Ibama e do Instituto Chico Mendes (ICMBIO) no município de Humaitá, nas margens do Rio Madeira, após agentes dos órgãos ambientais destruírem uma de suas balsas. “Uma vez, quando tocaram fogo numa balsa aqui em Humaitá, nós fomos pra cima. Tocamos fogo no Ibama, tocamos fogo no ICMBIO, tocamos o f…, meu irmão”, diz o garimpeiro.

Nos últimos dias, centenas de garimpeiros concentraram suas balsas em uma mesma área do rio, após correrem informações de que teria sido encontrada uma grande quantidade de ouro na região.

A lavra clandestina de ouro ao longo do Rio Madeira é um problema histórico e conhecido. Essa mesma atividade criminosa se espalha há décadas por outros afluentes do Amazonas, como o Rio Tapajós, na região de Itaituba.

O que chama a atenção no caso atual, porém, é a aglomeração de balsas numa mesma região. Para retirar o ouro do fundo do rio, essas balsas utilizam longas mangueiras, que são lançadas até o leito.

Acionadas por geradores, sugam a terra e tudo o que encontram no fundo. O material revolvido é trazido até a balsa e passa por uma esteira, onde é filtrado e devolvido à água. Nesse processo, o ouro fica retido na esteira. Essas operações causam extremo dano ambiental, porque acabam com todo tipo de alimento de centenas de espécies de peixes, comprometem a qualidade da água e geram assoreamento.