A Igreja a Bolsonaro: Basta de armas, de ódio, mentiras e fake news

Criticas mais duras ao presidente foram feitas pelo arcebispo de Aparecida durante sermão: “Pátria amada não pode ser pátria armada”

A HOMILIA DE DOM ORLANDO BRADES EM APARECIDA
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Embora tenha sido recebido pelo público com vaias e aplausos no Santuário Nacional de Aparecida, a crítica mais severa do dia foi feita ao presidente da República pelo arcebispo da cidade, d. Orlando Brades. Ele defendeu, em homilia da missa das 9h, transmitida a vivo, que o Brasil, “para ser pátria amada, não pode ser pátria armada”. Na missa da tarde, Bolsonaro também ouviu referências indiretas à política armamentista e ao combate à covid.

Bolsonaro assistiu à missa da tarde na companhia dos ministros Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações) e João Roma (Cidadania). Na homilia, à frente do presidente, o padre José Ulysses da Silva, porta-voz do santuário, fez uma referência indireta à postura armamentista do governo. “Se conseguíssemos abraçar a proposta de Jesus, nós seríamos um povo mais desarmado e fraterno”, afirmou.

As declarações do padre ecoaram a homilia do arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes. De manhã, na principal missa do dia, ele já havia dito que o Brasil, “para ser pátria amada, não pode ser pátria armada”.

Além de criticar a política de liberação do uso de armas do governo, Dom Orlando também se referiu ao viés negacionista de Bolsonaro, defendendo a vacina e a ciência. Ele também pediu uma pátria “sem ódio, uma república sem mentiras, sem fake news”.

O arcebispo lembrou que o Brasil está enlutado pelas mais de 600 mil mortes na pandemia e cobrou a preservação da Amazônia. Citando a visita do Papa Francisco ao País, em 2013, também pediu um abraço aos índios, aos negros, às crianças, aos pobres e às “nossas autoridades, para que, juntos, construamos o Brasil Pátria Amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada”.