Eduardo Cunha declara dinheiro apreendido pela Lava Jato em suas contas na Suíça como seu patrimônio

Valor depositado em nome do Ministério Público representa 90% do valor informado pelo ex-presidente da Câmara, que registrou candidatura a deputado federal por SP

Eduardo Cunha
Última atualização:

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PTB-SP), registrou seu pedido de candidatura a deputado federal e informou patrimônio 420% maior do que oito anos atrás, já em valores atualizados.

A informação é do jornal Folha de São Paulo que informa também que o maior bem listado, que representa 90% do total, é um depósito judicial de R$ 12,6 milhões na Caixa Econômica Federal feito em maio de 2021, no período em que ele deixou o regime de prisão domiciliar.

Cunha informou à Justiça que esse valor está em conta bancária em nome do Ministério Público e se refere a uma ação de execução penal provisória da 12º Vara Federal de Curitiba.

No ano passado, sua defesa havia dito que ele havia renunciado a esses valores, a título de pagamento de reparação de danos. Agora, após anulações de condenações, Cunha os listou em sua relação de bens. ​

Segundo a defesa de Cunha afirmou à Justiça Federal na ocasião, os valores seriam usados em parte para quitar a reparação de danos (um tipo de indenização aos cofres públicos pelo crime cometido).

Desde então, Cunha e a quase totalidade dos outros alvos da Lava Jato vêm obtendo vitórias na Justiça, com anulação de condenações. Mais recentemente, um juiz do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), em Brasília, suspendeu decisão da Câmara Federal que cassou o mandato de Cunha e o tornava inelegível.

Um dos políticos mais poderosos do país em 2014, 2015 e 2016, Cunha liderou no Congresso o processo que levou ao golpe contra Dilma Roussef em 2016. Logo após a queda da petista, porém, o parlamentar também caiu em desgraça ao ser afastado do cargo e do mandato pelo Supremo Tribunal Federal.