Eduardo Paes afirma: O Cristo Redentor pertence à Igreja

Prefeito do Rio promete que vai reconhecer o terreno onde fica a estátua como uma área de propriedade da arquidiocese, e verifica que há boa vontade do governo federal para esta solução

EDUARDO PAES NO OMBRO DA ESTÁTUA DO CRISTO REDENTOR

A comemoração dos 90 anos do Cristo Redentor, ontem, foi marcada pela promessa de colocar um fim à disputa travada pela Arquidiocese do Rio e o governo federal pela propriedade da área onde fica o monumento.

Em discurso durante a celebração na Catedral Metropolitana, o prefeito Eduardo Paes afirmou que vai reconhecer o terreno como sendo da Igreja, que enviou ao município um “pedido de regularização fundiária de interesse específico (Reurb-E) em área de proteção permanente”, em setembro.

— Assumo publicamente o compromisso de que nós, através de mecanismos criados pela própria legislação federal, estaremos, a partir do pleito apresentado pelo Cristo Redentor, reconhecendo a legitimidade e a propriedade daquele espaço para a Mitra. Isso para que o Cristo possa sempre representar um lugar da profissão de fé e, acima de tudo, aberto a todos os visitantes — disse Paes.

Segundo o jornal Extra, em seguida, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que também participou da missa dos 90 anos, levantou a bandeira de paz.

— Venho aqui transmitir um pedido do presidente da República, que quer trazer uma solução definitiva para a área do Santuário do Cristo. Semana passada, tive uma reunião com presidente, e ele pediu atenção especial. Com apoio especial de todos e da Mitra, vamos achar essa solução para trazer harmonia — prometeu, sem dar detalhes.

A tentativa de reconciliação chega depois que o Ministério do Meio Ambiente conseguiu na Justiça assumir o controle das lojas de suvenires e do restaurante que ficam no pé da estátua, até então alugados pela Igreja. A disputa se acirrou ainda mais quando o padre Omar Raposo, reitor do Santuário do Cristo Redentor, foi barrado na entrada do monumento por fiscais do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), no mês passado. O religioso ia realizar um batizado na capela que há aos pés da estátua. A Arquidiocese registrou uma ocorrência na delegacia.

No requerimento protocolado na prefeitura no último dia 28, a Arquidiocese pede a “legitimação fundiária” ou a “legitimação da posse” do alto do Corcovado, com base na lei federal 13.465, de 2017. O pedido diz que, “embora hoje o monumento transcenda a religiosidade e tenha se transformado em um ícone de um país inteiro, não se pode descaracterizar sua fundamental natureza católica”.