Factóide ou puxa-saquismo do ministro? Mercado diz que vender Petrobrás este ano é inviável  

SACHSIDA E GUEDES QUEREM PASSAR A PETROBRÁS NOS COBRES

É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que o chamado mercado financeiro defender alguma coisa que interesse mais do que ao próprio mercado financeiro. No entanto, ainda que milagres não aconteçam – pelo menos nesta área – verifica-se hoje o caso raro de uma opinião do mercado com a qual os cidadãos brasileiros que não são investidores ou especuladores podem concordar: a privatização da Petrobrás, a maior empresa estratégica brasileira, defendida pelo fanático seguidor de Bolsonaro que acaba de assumir o ministério das Minas e Energia, está longe de se tornar possível ou viável. Pode ter sido apenas o factóide de um ministro tentando chamar atenção no dia da posse. Ou, então, puro puxa-saquismo mesmo.

Leia a matéria da Folha a respeito.

Apesar de promessa do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, de agilidade nos estudos de privatização da Petrobrás, o mercado financeiro não vê chances de aprovação do processo ainda neste mandato.

A avaliação é que a conclusão de eventual venda da estatal depende de uma série de etapas e enfrentará grande resistência no Congresso. No setor de combustíveis, o anúncio foi visto como mais uma cortina de fumaça do governo.

O pedido de estudos para a privatização foi entregue por Sachsida ao Ministro da Economia ontem (12), um dia após a posse do novo ministro de Minas e Energia. Sachsida e Guedes defendem também a privatização da PPSA (Pré-Sal Petróleo SA), responsável por gerir a fatia do governo na produção de petróleo em campos do pré-sal.

O analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman lembra que a privatização da Eletrobras começou a ser discutida ainda no governo José Sarney e hoje, mesmo após aprovação de lei no Congresso, enfrenta questionamentos no TCU.

“No caso da Petrobras, o que seria feito é a encomenda de um estudo sobre viabilidade, impactos financeiros… Então, estamos em um processo muito incipiente”, diz ele, acrescentando que ainda é cedo para avaliar os impactos sobre a empresa.

“A companhia é muito grande, envolve vários stakeholders [públicos de interesse] e a gente pode pensar num grau de complexidade maior do que estamos vendo na Eletrobras.”

Diante das incertezas sobre o andamento da proposta, os analistas evitam projeções sobre o impacto de uma eventual privatização sobre as ações da empresa. Da mesma forma, a avaliação é que ainda não é possível mensurar o impacto da troca no MME (Ministério de Minas e Energia) sobre o setor.

“Neste momento, não há clareza sobre quaisquer potenciais mudanças sob a nova gestão do ministério”, resumem os analistas do Goldman Sachs Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins.