Lula diz que ao eleger Bolsonaro,enganado por mentiras, o brasileiro pode ter cometido o maior erro da história do país

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247 — Em entrevista nesta quinta-feira (23) à Rádio Difusora, de Manaus, capital do Amazonas, o ex-presidente Lula (PT) afirmou que a população brasileira cometeu um “erro histórico” ao eleger Jair Bolsonaro (PL) em 2018.

 “A sociedade brasileira precisa se dar conta de quem em 2018 o povo brasileiro, quem sabe, tenha cometido um erro histórico, quem sabe, levado pelas mentiras, levado pelas fake news, e tenha levado esse país a cometer o maior erro histórico ao eleger uma pessoa com comportamento fascista, sem nenhum comportamento civilizatório. Esse cidadão não conhece o Brasil, não tem responsabilidade com o Brasil, não sabe a importância da manutenção da floresta [amazônica] para o planeta Terra e não sabe a importância da Zona Franca de Manaus para a sobrevivência do povo desse estado [Amazonas]. Significa que ele não conhece, que ele só sabe fazer bobagem, andar de jet ski, andar de motocicleta”.

O petista lamentou o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia e destacou que a proteção da floresta vem sendo deixada em segundo plano desde o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

“É muito triste a morte do jornalista inglês, a morte do indigenista brasileiro. Nós vínhamos de um processo ascendente de fortalecimento da Funai, da Polícia Federal da região, da fiscalização da região em função do tráfico de armas e de drogas. Lamentavelmente, depois do golpe que deram na presidente Dilma toda a estrutura de acompanhamento das reservas indígenas foi sendo destruído, incentivado pelos governos fascistas, [defendendo] que era importante abrir a porteira para passar o gado, abrir para o garimpo, para pescadores profissionais pescarem em reservas indígenas. É uma pena que o governo inexista nessa região. É uma pena que o governo tenha cometido um descaso com a preservação da Amazônia, com os territórios indígenas e a saúde da população”.

“Nós vamos voltar a fazer aquilo que a gente já vinha fazendo. Nós tínhamos diminuído o desmatamento da Amazônia em 80%, estávamos fazendo a maior demarcação de terras indígenas da história desse país, estávamos fazendo territórios que a gente queria que fossem reservas florestais, para que a humanidade pudesse viver mais dignamente com aquilo que a Amazônia poderia contribuir. Mas de 2016 para cá a gente tem gente governando esse país que não se preocupa com isso, que passa por cima disso. Você tem um presidente da República que vai a Manaus e, em vez de visitar, quem sabe, parentes das vítimas [Bruno e Dom], vai fazer motociata, como se nada tivesse acontecido, da forma mais irresponsável”, acrescentou.

Lula disse que tentará visitar indígenas do Vale do Javari. “Quando eu for a Manaus, vou ver se consigo conversar com indígenas, quem sabe visitar o Vale do Javari, para que a gente possa marcar uma posição mais forte. Não haverá garimpo em terras indígenas. Essa é uma questão de lei, da Constituição, um dever moral da sociedade para com os indígenas brasileiros”.

Sobre a proteção de fronteiras internacionais dentro da floresta amazônica, Lula disse que fará uma reunião nas próximas semanas com governadores para delimitar o papel do Exército e das Forças Armadas na região. “Eu vou ter uma reunião nas próximas semanas com todos os governadores do PT e dos partidos coligados para que a gente possa, a partir da experiência desses governadores, saber que política a gente pode ter para as nossas fronteiras. É preciso saber qual será o papel do Exército. Embora o Exército não tenha papel de polícia, é preciso que a gente rediscuta qual é o papel do Exército ao cuidar das nossas fronteiras. [Em segundo lugar] qual é o papel da Polícia Federal. Ela precisa fazer concurso, precisa ter mais policiais porque a gente precisa de mais gente ocupando as nossas fronteiras. Vamos ter que envolver as Forças Armadas, vamos ter que envolver a Polícia Federal para que nossas fronteiras deem segurança aos nossos estados, ao nosso povo”.

Além disso, o ex-presidente prometeu, uma vez de volta à Presidência da República, convocar reunião entre presidentes dos países que fazem fronteira com a Amazônia brasileira para reforçar a segurança e preservação da região. “Haverá possibilidade de um grande acordo”.

Perguntado sobre a demarcação de terras indígenas, o petista deu sua palavra de que demarcará quantas terras forem necessárias caso seja eleito. “Vamos demarcar o que tiver que demarcar e vamos preservar o que precisar preservar. Não se trata mais de política de governo, de partido. Se trata de uma necessidade da humanidade para que a gente possa preservar aquilo que os humanos ainda destruíram. Se o mundo está pelado é porque alguém destruiu. Se nós ainda temos a floresta amazônica com muita coisa preservada, nós precisamos ter responsabilidade, até pensando economicamente. E [demarcar] as terras indígenas é uma obrigação ética, uma obrigação moral, uma coisa de responsabilidade com aqueles que são os verdadeiros donos do Brasil. Eles não precisaram descobrir o Brasil. Eles já estavam aqui quando os portugueses descobriram. Então temos que respeitá-los, garantir o espaço necessário para que eles possam viver, do jeito que eles sabem viver, colocar sua cultura em prática. É isso que eu vou fazer”.