Mourão “ensaia” desobediência ao Supremo e chama de “ataque à democracia” decisão do STF sobre Silveira

Em entrevista a uma rádio gaúcha, o general disse que a medida tomada pela Corte está em "desacordo com o devido processo legal"

Hamilton Mourão

O vice-presidente Hamílton Mourão (Republicanos) pareceu “ensaiar” a “desobediência ao Supremo Tribunal Federal ao fazer duras críticas, na manhã desta sexta-feira (13/5), às últimas decisões do STF, em especial as relacionadas ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ). Segundo o general, a condenação do parlamentar  foi um “verdadeiro ataque à democracia”.

Em entrevista à rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, o vice-presidente disse que vê com “extrema preocupação o que tá acontecendo”. Para Mourão, após uma série de envolvimentos em corrupção, de membros do Legislativo, o Judiciário cresceu com certo “poder”, que rompeu a “harmonia e o equilíbrio do que está acima do processo democrático”.

“A lei é para nós cidadãos comuns. Temos que entender o que podemos e o que não podemos fazer. A partir do momento que o magistrado A interpreta a lei de uma maneira e o magistrado B de outra maneira, a gente não sabe mais o que faz, e é isso que vem acontecendo”, argumentou Mourão.

Em relação à condenação do deputado federal Daniel Silveira, por 10 x 1 votos, Mourão pontuou que houve um “desacordo com aquilo que é o próprio processo legal”. Sem citar nomes, o vice-presidente falou sobre a relatoria de Alexandre de Moraes no caso do parlamentar.

“O camarada que investiga não pode ser o mesmo que denuncia e o que julga. Temos o inquérito da fake news, que não tem objeto, não tem prazo. Todo inquérito tem prazo. Dentro do Exército, por exemplo, tem 30 dias para terminar a investigação. Se não terminar nos 30, você pede mais 30, é assim que funciona”, explicou.