Nordestinos, pobres, pretos e desempregados já escolheram Lula para reconstruir o Brasil

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RICARDO BRUNO

A pesquisa do Datafolha de ontem, 26, é uma consistente prova de que Jair Bolsonaro  foi neutralizado pela falência administrativa de seu governo, em situação agravada por sua absoluta inaptidão ao cargo e notório desprezo às instituições democráticas. Com 21 pontos de vantagem (48% a 27%), Lula se impõe como a única alternativa ao caos imposto ao país por um presidente néscio, autoritário e desprovido de qualquer predicado recomendável ao exercício da Presidência da República.

Sob Bolsonaro, o Brasil é uma nau à deriva – sem rumo, sem estratégias, sem projetos, sem respeito às instituições e sem comando. Com um presidente que não governa, dado a fanfarronices execráveis,  com a inflação em retomada; preço dos combustíveis em descontrole, e a fome novamente em escalada, os brasileiros já decidiram despachar Bolsonaro para o esgoto da história política contemporânea.

Errático dia sim e outro também, o presidente não consegue mover a máquina administrativa de modo a superar – ainda que parcialmente – os graves problemas que afligem os brasileiros. Com esgares estranhos, incompatíveis à altivez recomendável ao cargo, Bolsonaro apenas faz espuma. Não governa e não consegue sequer disfarçar sua incapacidade diante dos enormes desafios do país. No Planalto, simboliza o rematado retrato de um rei boçal. Cobaias, os brasileiros se mostram cansados desta experiência malfadada. E querem mudar.

Nordestinos (62% a 17%); mulheres (49% a 23%); pobres (56% a 20%; pretos (57% a 23%); e desempregados (57% a 16%)  – todos vítimas do massacre da política econômica Bolsonaro/Guedes – estão dizendo ao restante do país que já escolheram Lula para comandar a travessia do país de volta ao crescimento econômico, com garantia de direitos sociais, e estrito respeito ao estado democrático de direito.

Sem outra estratégia, os bolsonaristas já estão nas redes sociais tentando descredibilizar a pesquisa. Tentam desqualificar o levantamento na expectativa de reduzir danos com a natural decepção da tropa. Querem evitar o desinteresse da militância diante de um quadro que dá mostras de que dificilmente será revertido.

O resultado do pesquisa pode produzir duas consequências objetivas nas campanhas. Entre os aliados de Lula, um perigoso clima de já ganhou, o chamada salto alto, que poderia contaminar a candidatura com alguma arrogância e dificuldades para a negociação de alianças e acordos. Num quadro como este, dificilmente se aceita correções de rumo na estratégia, mesmo em casos pontuais visivelmente mal resolvidos.

No círculo bolsonarista, espera-se uma enorme pressão em direção a posições insensatas e ainda mais tresloucadas, numa desesperada tentativa de animar a tropa e manter o moral elevado mesmo diante de uma inescapável derrota na batalha eleitoral que se avizinha.

A possibilidade de um a decisão no primeiro turno aumenta com a expectativa de que boa parte dos eleitores de Ciro (7%) migre em direção a Lula na reta final,  diante da absoluta impossibilidade de reação do pedetista num quadro totalmente polarizado. Se antes disso, a pesquisa já aponta o petista vencendo no primeiro turno com 54% por cento dos votos válidos, contra 30% do atual presidente, com o voto útil a vantagem estaria assegurada com boa margem de segurança.