Quaquá diz que Freixo não pode mais ser o candidato da esquerda no Rio

Vice-presidente nacional do partido repudia voto de Freixo contra a PEC que inibiria abusos do MP, e insiste: Lula não deve ter apenas um palanque para sua campanha no estado

O voto do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que imporia freios a abusos do Ministério Público causou desconforto entre aliados petistas do pré-candidato ao governo do Rio. Lideranças locais e nacionais do PT criticaram a posição do parlamentar, que busca o apoio do partido para disputar o governo do Rio.

Washington Quaquá, vice-presidente nacional do Rio, disse que a posição de Freixo fez com que ele perdesse o posto de candidato exclusivo apoiado pelo partido no Rio. Quaquá tem defendido que, como a candidatura de Lula à presidência deve ser a maior das prioridades do partido, o ex-presidente tenha mais de um palanque para a sua campanha no Rio.

Quaquá propõe que o PT obtenha espaço para a campanha de Lula junto a outros postulantes ao governo do estado além de Freixo, que também tentarão obter apoio de Lula, líder das pesquisas, como o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, pré-candidato pelo PSD, e o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, do PDT.

— Ele (Freixo) perde completamente as condições de ser o candidato exclusivo de esquerda no Rio. É trágico alguém que se diz da esquerda votar a favor de que o Ministério Público tenha autonomia de fazer o que quiser sem ter o escrutínio da sociedade brasileira — afirmou Quaquá.


Segundo o vice-presidente do PT, ainda não há posição consolidada sobre o apoio do partido ao deputado que foi do PSOL e hoje está no PSB:

— Nada será decidido agora. A definição só virá depois da convenção do partido.


Segundo reportagem do Globo, um dos fatores que aumentaram o desconforto foi a participação de Freixo em uma reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos principais entusiastas da PEC. A proposta foi debatida no encontro, e Freixo fez com que todos acreditassem que era favorável ao estabelecimento de controle social sobre os abusos do MP. No plenário, porém, Freixo surpreendeu a todos, votando a favor do corporativismo lavajatista.