Romário, um candidato a caminho da “cristianização”

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RICARDO BRUNO

Filiado recentemente ao PL, o senador Romário enfrenta problemas em seu próprio partido por falta de engajamento das lideranças liberais em sua campanha. A despeito das declarações contemporizadoras do presidente regional da sigla, deputado  Altineu Cortes, de que mais à frente todos vão marchar com o Baixinho, não é isto o que se depreende da movimentação política nas últimas semanas.

Romário é um estranho entre as raposas partidárias. A maior parte das lideranças da base de Cláudio Castro, inclusive do PL, já emite sinais de apoio à postulação do petista André Ceciliano, cujo lançamento da pré-campanha fora abrilhantado por figuras ilustres de legendas governistas, entre os quais os presidentes do PP, deputado Dr. Luizinho, e do União Brasil, o prefeito Waguinho e o prefeito André Português do PL.

Hoje, a candidatura de Romário é lastreada exclusivamente em seu prestígio pessoal como ex-artilheiro de futebol.  As máquinas partidárias não assimilam seu nome, talvez, pela natureza apolítica de sua trajetória. O ex-craque da Seleção Brasileira chegou ao Senado mais pela popularidade de seu nome nos gramados e menos pela militância política. Falta-lhe traquejo e convívio partidário.

O presidente do PL, Altineu Cortes, tem dito que os infiéis poderão ter problemas com a liberação de recursos do fundo partidário. As ameaças de retaliação, contudo, estão sendo tomadas como apenas uma formalidade do dirigente político em defesa da aparente coerência partidária dos filiados.

A rigor, Romário é um forte candidato à “cristianização”, que, na política brasileira, pode ser traduzida como “abandonado por seu próprio partido”. A expressão foi cunhada em 1950, quando o PSD lançou a candidatura de Cristiano Machado à Presidência da República, mas as principais lideranças partidárias apoiaram Getúlio Vargas, candidato do PTB, que acabou vencendo a eleição.