André Mendonça declara submissão aos pastores de sua igreja, continua no limbo do Senado e corre o risco de perder a vaga no STF

ANDRFÉ MENDONÇA DIANTE DE UM PASTOR, EM FOTO DE JULHO
Última atualização:

André Mendonça participou domingo de uma reunião de obreiros da Assembleia de Deus – Ministério do Madureira – e reafirmou sua “submissão” aos bispos da igreja. Aos líderes da agremiação, o ex-AGU disse que estão proibidos de chamá-lo de “excelência”, pois é discípulo deles. Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, Mendonça afirmou ao bispo Samuel Ferreira, afirmou:

— Os senhores são bispos da Assembleia de Deus, mas, para além disso, Deus os constituiu bispos sobre a minha vida. (…) Vocês têm autoridade espiritual sobre a minha vida. (…) Vocês é quem são autoridades sobre mim. Eu sou um discípulo.

Perante os bispos, ele reiterou:

— Não é um ato de vontade. É um reconhecimento de submissão.

Segundo reprtagem da revista Carta Capital, oficialmente indicado para o STF pelo presidente da República desde 13 de julho, André Mendonça vive desde então numa espécie de limbo. Sua confirmação pelo Senado, tragada pelo redemoinho de ataques de Jair Bolsonaro aos ministros do STF, se desidrata dia a dia e Mendonça tem se dedicado nas últimas semanas a percorrer os gabinetes dos senadores numa missão aparentemente inglória.

Além de não contar com o apoio direto do Planalto, Mendonça enfrenta a resistência do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e de seu antecessor, Davi Alcolumbre, que preside a Comissão de Constituição e Justiça, primeira instância responsável por referendar a nomeação. A reincidência dos ataques de Bolsonaro às instituições e à democracia poderá fazer com que a candidatura de Mendonça suba de vez no telhado. “A má-vontade com o nome dele aumentou. Todas as últimas falas do presidente, suas últimas atitudes, o conteúdo dos discursos que ele fez… tudo isso criou ainda mais dificuldades para o André Mendonça, diz um senador da oposição.

Um advogado da AGU, que prefere não ser identificado e diz “conhecer o André da lida diária”, define Mendonça como uma pessoa complexa. “Tem o lado privado e o lado público. No aspecto privado, é uma pessoa afável, educada, cordata e solidária. Mas o homem público traz muita preocupação”, diz. Embora reconheça que o ex-colega tem “uma trajetória sólida e muito respeitada” e que “construiu carreira acadêmica fora do País”, ele lamenta que Mendonça seja uma síntese do governo Bolsonaro. “É uma conibinação da agenda contra a corrupção de Moro, da agenda religiosa dos pastores evangélicos e dos valores e costumes dosseguidores de Olavo de Carvalho”.