Paulo Baía: A disputa dos desconhecidos para o Governo do Rio

Para o cientista político, a candidatura de Cláudio Castro é a mais competitiva. E André Ceciliano, para o Senado, é quase uma unanimidade.,

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Por Paulo Baía

As eleições para Governador do Estado do Rio de Janeiro estão em movimento, muito agitadas, com ações táticas, estratégicas e midiáticas. Não se pode usar, no nosso cenário fluminense e carioca, a máxima de que “só peru é que morre de véspera no Natal.”

Ninguém vai morrer de véspera. Até os perus também não morrem mais de véspera. Eles são abatidos, congelados e dois meses antes estão nas prateleiras dos supermercados.

A disputa que temos para o Palácio Guanabara guarda uma semelhança, no que se refere ao que está acontecendo no quadro de candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro, com a pespectiva das ceias de Natal com peru ou chester.

O candidato mais conhecido ao governo do estado do Rio de Janeiro é o deputado federal Marcelo Freixo, do PSB. Marcelo Freixo é o nome mais conhecido em todas as regiões do estado, com destaque para a grande Região Metropolitana, que concentra mais de 75% dos eleitores.

Tirando Marcelo Freixo, temos o atual governador Cláudio Castro do PL e o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, do PDT, como nomes que possuem boas estruturas políticas e de comunicação, mas que são absolutamente desconhecidos do eleitorado do Estado.

Ser desconhecido não faz de Cláudio Castro e Rodrigo Neves candidatos menos fortes do que Marcelo Freixo nem faz Marcelo Freixo mais forte que Castro e Rodrigo Neves.

Pelo contrário, o fato de não ser conhecido é uma vantagem para Cláudio Castro e para Rodrigo Neves, em um cenário como o fluminense e carioca de total ausência de lideranças políticas e população cética em relação a todos os atores políticos e partidários.

O jurista e advogado militante, presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, também se apresenta como pré-candidato ao governo. É totalmente desconhecido, mas pode ter uma grande estrutura partidária, na medida em que o PSD é um partido com agilidade, tem estrutura profissional partidária em todo o território brasileiro e aqui no Rio de Janeiro tem Eduardo Paes no comando, o que fortalece as performances do PSD.

Com o surgimento do União Brasil, da fusão do PSL com o DEM, surge um novo vetor político com força competitiva. Partido União Brasil pode ressuscitar o ex-governador Anthony Garotinho para a disputa eleitoral ao governo do estado do Rio de Janeiro em 2022

Anthony Garotinho é sempre um candidato forte. Não que a princípio se diga que ele vai ganhar uma das duas vagas para o segundo turno, mas é conhecido de toda a população e tem algo importante para um candidato majoritário: tem um significativo grupo de eleitores fidelizado a seu nome. Portanto, ele parte num patamar razoável nas pesquisa, como favorito e rejeitado nas mesmas proporções.

Nunca se deve subestimar as possibilidades eleitorais de Antony Garotinho no estado do Rio de Janeiro.

O PSOL, PSTU, Novo e PCO certamente terão candidaturas próprias em 2022 para o governo do estado.

Temos no radar de observação, nesse momento, quatro candidatos, ou possíveis candidatos, com condições de competitividade de hoje, outubro de 2021, até junho de 2022.

O primeiro é Cláudio Castro, com sua habilidade no uso da máquina administrativa e política, usando de maneira sábia, focada e eficiente os recursos orçamentários, o regime de recuperação fiscal e os recursos bilionários, extra orçamento, que obteve com a venda da CEDAE.

Cláudio Castro vem apoiando todos os prefeitos do estado do Rio de Janeiro, inclusive prefeitos que lhe farão oposição na empreitada da reeleição de 2022. O eleitorado da cidade, via deputados estaduais, deputados federais, vice-prefeito, terão ciência de que o que foi feito – ou será até outubro de 22 – foi feito via Governador Cláudio Castro.

O segundo é o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, que pode ganhar visibilidade em todo o estado do Rio de Janeiro em função da estrutura de comunicação partidária do PDT e dos reflexos que a gestão de Niterói podem alavancar na Região Metropolitana.

Particularmente, vejo o potencial competitivo de Rodrigo Neves no próprio Rodrigo Neves, não em função da campanha do Ciro Gomes para presidente da república, já que essa é muito fraca no estado, eclipsada por Lula da Silva. Mas o PDT tem uma boa estrutura estadual, além de um convívio suprapartidário em que Rodrigo Neves circula com muita facilidade.

Tenho pensado, feito projeções, que nesse quadro de disputa eleitoral Rodrigo Neves, que é absolutamente desconhecido da população do estado do Rio de Janeiro, assim como Felipe Santa Cruz, que também é absolutamente desconhecido no estado do Rio de Janeiro, podem caminhar para uma campanha com grande probabilidade de sucesso, a deputado federal, com muitas facilidades, a partir de junho de 2022, ajustando as composições eleitorais de Cláudio Castro e Marcelo Freixo, fortalecendo o polo Cláudio Castro.

O jogo está sendo jogado, bem jogado por todos os competidores ao Palácio Guanabara.

Cláudio Castro, muito forte, o mais competitivo de todas as candidaturas.
Marcelo Freixo, forte e tentando expandir sua competitividade. Anthony Garotinho, se vier, também será um candidato forte, competitivo, com a perspectiva do União Brasil se consolidar em terras fluminenses e cariocas, se bem que uma candidatura de Anthony Garotinho para a Câmara dos Deputados é sucesso garantido de vitória eleitoral.

Esse é o jogo jogado de agora, outubro de 2021.

Em relação a única vaga para o Senado Federal, André Ceciliano do PT assumiu o protagonismo, será quase uma unanimidade.

Creio que Washington Reis não sairá da prefeitura de Duque de Caxias para disputar o Senado, pode sair para uma vaga certa de deputado federal.
O PSOL trará o ícone carioca, professor Chico Alencar, como estandarte ao Senado Federal. Será uma luxuosa e simpática presença, sem competividade.

Romário, certamente, vem como candidato a deputado federal pelo PL. Romário não entra em campo para perder. Romário pode nos trazer surpresas inusitadas até abril de 2022, afinal de contas ele vem de longe, já está “sentado na janela do ônibus”.

Ninguém sairá desse jogo para outras modalidades de jogo eleitoral antes de junho de 2022.

* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.