As dificuldades de Martha Rocha para crescer

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Ricardo Bruno

A candidata do PDT, Martha Rocha, tem alguns pontos de fragilidade em sua candidatura que talvez estejam a impedir o seu crescimento. O mais gritante é sua dificuldade entre as mulheres, um desequilíbrio de gênero incomum nas eleições brasileiras – ocorrido recentemente apenas com o presidente Bolsonaro. Outra contradição vem de sua condição de delegada filiada a um partido de esquerda. A princípio, agrada a fatias do bolsonarismo que, ao tomarem conhecimento de sua inscrição no PDT, debandam em direção a outros nomes mais à direita.

Entre os homens, de acordo com o Ibope, Marha se apresenta em rigoroso empate com Marcello Crivella, ambos com 16% das intenções de voto. Entre as mulheres, o prefeito/pastor se impõe com vantagem de 5%: 15% a 10%. Bolsonaro padeceu do mesmo mal.

Durante a campanha presidencial, chegou-se a afirmar que a dificuldade do atual presidente de se comunicar com as mulheres seria um vigoroso óbice à vitória. Ele, contudo, conseguiu reduzir o desequilíbrio, melhorando a performance entre as brasileiras, e ampliou enormemente sua vantagem entre os homens para garantir a supremacia no resultado final.

Martha é frágil no universo feminino e, para sua desdita, não é tão forte assim entre os homens, fração do eleitorado liderada por Eduardo Paes, com 27 % das intenções de voto.

A despeito de ser mulher, ela tem aparentemente um universo mais masculino. O fato de ser delegada – e assim se apresentar – cria obviamente maior identificação com os homens, mais afeitos à ideia de confronto subliminar à atividade policial. O excelente trabalho parlamentar de Martha voltado às mulheres, na Alerj e mesmo no Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres, foi eclipsado pelo escudo da delegada – peça central da campanha.

A semelhança entre o comportamento das candidaturas de Martha e Bolsonaro faz crer que a candidata do PDT tem, entre os seus simpatizantes, uma parcela do bolsonarismo, apesar de filiada a um sigla de esquerda, o PDT.

É possível que esta seja razão pela qual não consiga deslanchar. Na medida em que esses eleitores – mais à direita – tomam conhecimento de sua filiação partidária, se desencantam, optando por outros nomes. Não por caso, Bolsonaro criticou o fato de ela ser filiada ao PDT, partido de Ciro Gomes, e fez um alerta contra as siglas que, segundo ele, querem novamente pintar o país de vermelho.

Bolsonaro parece ter mandado um recado direto a sua tropa, para impedir eventual desvio de votos em direção a uma candidata que, embora delegada, nada a tem a ver com ele. Pode ter funcionado.