É vergonhosa a liberação de público no Maracanã

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Wagner Victer*

É lamentável a sinalização que o Rio dá para o Brasil na liberação de público no Maracanã para jogos do Flamengo.

A medida é totalmente incoerente diante da nova variante Delta da Covid ter aqui o seu epicentro, o nível de imunização do Estado ( duas doses ) estar pouco acima de 30 % ( quando se dizia a imunidade de rebanho  se atingir com limites entre 70 % e 80 % ) e sem falar dos elevados níveis de ocupação de leitos de UTI existentes. Além da necessidade, já identificada, de uma terceira dose para idosos mal iniciada.

A postura do Rio é dissonante da posição majoritária das capitais do país e sugere a busca de um protagonismo permanente de um ambiente de normalização que apesar de sonhado por todos nos infelizmente está ainda distante.

A leitura política de muitos de que essa liberação é uma ação para agradar a maior  torcida do país e apresentar um cenário competitivo de mando de campo mais favorável só prospera pela forma abrupta e repentina como tal situação foi anunciada.

Na verdade, a medida  já foi tentada de forma desastrada  em Belo Horizonte e suspensa diante  do caos e da incapacidade da verificação , com a acurácia confiável , dos atestados de vacinação e dos, testes prévios –  ambos facilmente falsificáveis.  Sem falar, a ironia macabra de ver a torcida se abraçando e sem usar máscaras diante da incapacidade de controlar um público de mais de 20 mil pessoas. Isso se for adotado o limite de 35 % dos estádios gritando e soltando aerossóis para seus ilustres vizinhos.

Isso é vergonhoso e lamentável em especial para uma cidade que sempre se vangloriou de estar na vanguarda dos principais temas do pais.

Espero que o bom senso prevaleça e as reações negativas  levem a reflexão  e a postergação da medida para um momento que tivermos um maior nível de imunização em nosso estado e, em especial, na região metropolitana.

Wagner Victer é engenheiro e diretor-geral da Alerj