Paulo Baía: Garotinho é um infame ?

"Atrevo-me a dizer que nós tivemos excelentes governos com Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho", afirma o cientista político

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Por Paulo Baía

Eu ando revisitando as administrações passadas do estado do Rio de Janeiro, todas elas, e também revisitando a trajetória de alguns personagens políticos do estado do Rio de Janeiro, na companhia parceira, luxuosa e estimulante da cientista política Mayra Goulart da UFRJ.
Hoje eu quero falar sobre Anthony Garotinho.
Por que?
No mês de outubro de 2021, ao ministrar uma palestra em uma universidade federal mineira (não vou identificar a cidade de Minas Gerais), citei o nome de Garotinho como governante pioneiro, que com coragem e determinação implantou o primeiro sistema de cotas raciais e sociais nas universidades públicas brasileiras, na UERJ e na UENF, que eram de sua competência federativa.
Fui brutalmente interompido pela fala alta, potente, ressignificadora, bem intencionada, de uma jovem, uma menina, ativista dos movimentos e coletivos negros universitários de universidades federais mineiras.
A juventude negra que está já em cena é poderosa, criativa, corajosa e vai em frente com as lutas seculares da negritude, o que me deixa feliz, orgulhoso e esperançoso.
A menina, aos gritos, me rebatia afirmando que Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho eram “Infames”, “traidores”, “perigosos”, “usurpadores”.
Que foi Lula e seu governo que criaram e implantaram o sistema de cotas raciais em todo o Brasil.
Que Garotinho era e é contra as “Cotas Raciais” e o “Bolsa Família”.
Que Garotinho era um bolsonarista fascista.
A menina foi delirantemente aplaudida por uma plateia de mais de 400 jovens multiraciais, em sua maioria brancas e braços bonitos e bem cuidados.
Tentei falar, mas fui consagrado, como na magnífica expressão de Nelson Rodrigues, por uma vaia típica das que “juízes de futebol” levam em Fla-Flu ou Corinthians – Palmeiras.
“A vaia consagra”!
A palestra foi encerrada às pressas sob os gritos de #ForaBolsonaro, #LulaLá e #MarielleVive.
Não consegui passar dos dez minutos de palestra, fui tomar um chope com os constrangidos colegas que organizaram o evento.
A multidão juvenil determinou que Anthony Garotinho era e é um “Infame” e ponto final.
Antes de sair do auditório, com a proteção de docentes amigos e três ex-alunos negros, falei alto no meu microfone ainda ligado: Garotinho não é um “Infame”, Garotinho não é um “traidor”, “Garotinho criou as cotas raciais”.
Conheci Anthony Garotinho em 1982, quando percorri todas as cidades do estado do Rio de Janeiro ao lado do generoso e visionário Miro Teixeira em sua campanha para o governo do estado, na primeira eleição direita deste 1966.
Garotinho era um fenômeno eleitoral e de mídia na maior cidade do interior fluminense.
Era um solitário candidato a prefeito de Campos dos Goytacazes pelo novíssimo Partido dos Trabalhadores – PT.
O PT do estado do Rio de Janeiro era formado exclusivamente pelas esquerdas universitárias, artisticas, culturais e do corporativismo dos servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro.
Anthony Garotinho não era reconhecido como liderança jovem pelos petistas, apesar de seu notável desempenho que o leva à presidência da juventude nacional do PT.
Leonel Brizola enxerga em Garotinho um expressivo potencial político e eleitoral e o convida para integrar os quadro trabalhistas do PDT.
Garotinho é eleito com facilidade prefeito de Campos em 1988 e reeleito em 1992.
Anthony Garotinho tem uma projeção estadual no final de 1994 ao se afastar da prefeitura de Campos dos Goytacazes, enfrentar internamente Leonel Brizola, ganhar a convenção do PDT contra Leonel Brizola e sair candidato ao governo do estado pelo PDT, disputar as eleições em primeiro turno contra Marcelo Alencar e o Gal. Nilton Cruz. Marcelo Alencar vinha com muita facilidade, como um candidato praticamente eleito ancorado na campanha de Fernando Henrique Cardoso pelo PSDB, novo partido de Marcelo Alencar.
Ao mesmo tempo, ninguém da imprensa deu muita bola para a candidatura de Anthony Garotinho.
Anthony Garotinho surpreende os sabichões da Zona Sul carioca e vai ao segundo turno, colocando o favoritismo de Marcelo Alencar em risco efetivo de derrota.
Marcelo Alencar, as muitas mídias e militâncias das esquerdas e das direitas tiveram que fazer uma engenharia política inusitada em suas propostas para consolidar sua candidatura no segundo turno, se aliando ao general Nilton Cruz, um candidato da extrema direita, muito bem votado no primeiro turno, que ficou em terceiro lugar.
Marcelo Alencar assumiu o programa de governo do general Nilton Cruz, em particular o da área de segurança pública, com o Gal. Milton Cerqueira secretário de segurança e o delegado Hélio Luz do PT como chefe da PCERJ.
O tempo vai passando, as pessoas esquecem certas coisas ou simplesmente as omitem por conveniência política do momento, do agora. Garotinho desdobra seu trabalho de militância, de ativismo como agente público, entre 94 e 98.
Em 98 sai candidato “por consenso” do PDT para o governo do estado do Rio de Janeiro, estabelece uma aliança com o Partido dos Trabalhadores, vinda de cima, com a intervenção da direção nacional do PT, que impede a candidatura de Wladimir Palmeiras.
Uma aliança determinada pela cúpula do PT, o que fez com que o PT, em sua grande maioria, começasse a fazer oposição a Garotinho já na campanha eleitoral, mesmo tendo Benedita da Silva como vice governadora, a vice da chapa de intervenção nacional do PT.
Isso me faz voltar a 1994, quando Garotinho enfrenta a oposição de Brizola no PDT e gera, também, movimentos dentro do PDT que são contrários a ele e lhe fazem oposição.
Entre 94 e 98 Garotinho se afirma, mas tem uma oposição interna atenta, grande e silenciosa no PDT. Inicia suas costuras e alianças eleitorais para 1998 com uma oposição grande de petistas cariocas e fluminenses.
Isso ocorre na medida em que voltam a insistir na aliança do PDT com o PT, de Garotinho com Benedita. Essa aliança não foi algo decidido pelo partido, pelo PT, foi uma imposição da direção nacional do partido, vinculando essa alternativa à campanha de Lula a Presidente da República, em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso ganha de Lula e é reeleito no primeiro turno.
Por que estou revisitando, não só o personagem Anthony Garotinho, como os governos do estado do Rio de Janeiro tanto nas suas matrizes de 1970, no Estado da Guanabara, como a partir de 1974, com a fusão, com o governador Faria Lima? Estou revisitando pois é fundamental, interessante, olhar o passado com os olhos do presente, depois de décadas das ocorrências e fatos, fora da avaliação do governo Garotinho do ontem, que foi uma avaliação ácida em quase sua totalidade em todas as mídias e pelas universidades em suas conjunturas de interesses.
Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho foram estereotipados como irresponsáveis, populistas caipiras, perigosos, sem definição sobre qual seria o perigo.
O fato é que Garotinho nunca teve a simpatia das mídias mais potentes da cidade do Rio de Janeiro.
Garotinho nunca teve a simpatia da militância aguerrida das esquerdas universitárias, artísticas e culturais da cidade do Rio de Janeiro e da cidade de São Paulo.
Da mesma maneira que Garotinho não tinha a simpatia de movimentos sociais mais amplos aparelhados pelo PT. Mas Garotinho se afirmou, foi eleito governador em 1998, faz uma gestão de 1999 a 2002 com inúmeras inovações bem sucedidas.
O projeto de Garotinho foi usar o Rio de Janeiro como plataforma para um salto nacional, que ele dá em 2002, como candidato a Presidente da República, candidato muito bem votado.
Mas, voltando ao Governo Garotinho de 1999 até 2002, até abril de 2002. É um governo que consegue quase que refundar o Estado da gestão calamitosa de Marcelo Alencar. Marcelo Alencar leva o Estado do Rio de Janeiro a uma situação deprimente, em termos político-administrativos, uma gestão temerária. A perspectiva de refundar o Estado do Rio de Janeiro é levada a cabo por Anthony Garotinho e sua equipe de governo.
Anthony Garotinho consegue alavancar o Estado mesmo com uma política do governo federal adversa à figura de Garotinho, e um governo Fernando Henrique Cardoso que nunca foi muito simpático ao estado do Rio de Janeiro.
As políticas do governo Fernando Henrique Cardoso não foram boas para o Estado do Rio de Janeiro de maneira geral, como foram para São Paulo. O tratamento era diferenciado em desfavor da cidade e do estado do Rio de Janeiro.
Garotinho sofre um boicoite, um “chega prá lá” institucional do Governo Fernando Henrique Cardoso durante todo o seu mandato.
Uma oposição não institucional, uma má vontade, que lhe causava entraves e embaraços de gestão, ao mesmo tempo que nas militâncias sindicais corporativas controladas pelo PT Garotinho sofre uma oposição muito violenta.
A aliança do PT com Anthony Garotinho foi a todo tempo pressionada para ser desfeita pelas “bases” petistas.
A ponto de Garotinho sentir um enorme incômodo com o PT, com o PT ainda no governo, querendo “mais cargos em comissão” , e em postura de disputa não solidária, quando ele diz a frase famosa: “o PT é o partido da boquinha.” Enfim, é evidente que é uma frase provocadora, uma frase de uma DR que anuncia o fim da relação, na medida em que o PT, que era também governo, fazia oposição, a partir de dentro do próprio governo, à gestão Antônio Garotinho.
Mas Anthony Garotinho na questão da política fazendária vai bem, na política de investimento em infraestrutura avança significativamente, na política de apoio social e formação de uma rede social tem seu ariete principal, com os restaurantes populares, com o cheque cidadão.
A política de cotas raciais e sociais na UERJ e na UENF foram pioneiras e contra a vontade da maioria quase absoluta dos docentes, dos discentes e do corpo funcional das universidades estaduais.
Na UERJ, a reitora, professora Nilcea Freire, comandava a rejeição ao sistema de cotas raciais e sociais.
É importante ressaltar, que apesar da professora Nilcea Freire ter implantado o regime de cotas por pressão do Ministério Público, do poder Judiciário e da Alerj, ela foi seduzida pelos resultados altamente favoráveis em termos acadêmicos, escolares e de inclusão social do regime de cotas, e passou a ser uma defensora formidável das cotas raciais nas universidades públicas.
Os diversos segmentos dos movimentos negros apoiavam a lei de cotas que Anthony Garotinho enviou para a ALERJ, apesar de em sua maioria serem contra Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho.
Os governos Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho são os governantes que mais investiram proporcionalmente na área de segurança pública e garantia de direitos quando comparados com os governos do estado do Rio de Janeiro de 1975 até setembro de 2021 e com os demais 25 estados da federação brasileira, junto com o Distrito Federal.
Não é uma opinião minha, particular, pessoal. Basta ter a paciência e a vontade de analisar e comparar estatísticas, números, dados de realizações e execução orçamentária.
Garotinho e Rosinha criam e implantam com lei aprovada pela Alerj um sistema do cotas que só existe no estado do Rio de Janeiro. 5% das vagas da UERJ e da UENF são para filhos, filhas e dependentes de Policiais Militares, Bombeiros Militares, Policiais Civis e Agentes Penitenciários mortos em serviço.
Reconhecimento de responsabilidade do estado do Rio de Janeiro pela mortes e assassinatos, em várias chacinas cometidas, de maneira comprovada, por agentes públicos contra favelados e população afrodescendente, com a concessão de pensões vitalícias por leis aprovadas na ALERJ por iniciativa dos governantes Anthony e Rosinha Matheus Garotinho.
Enfim, ele consegue avanços significativos para a refundação do estado do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que tece uma aliança para fortalecimento e melhoria da qualidade de vida da Baixada Fluminense, da Região metropolitana e do Interior do estado do Rio de Janeiro.
Mas a cidade do Rio de Janeiro, em especial as suas zonas sul e norte, “odeiam” a família Garotinho.
Garotinho vem de Campos, a principal cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, mas ele fortalece essa malha de proteção social e de investimentos na região metropolitana. É muito interessante comparar os dados da gestão de 1999 a 2002 com a gestão de 1994 a 1998, de Marcelo Alencar. Esses dados são muito importantes, porque o próprio governo Marcelo Alencar já pega uma reta final do segundo mandato do governo Leonel Brizola, de 1993 a 1994, como um período de enormes dificuldades financeiras para o estado do Rio de Janeiro, de dificuldades que se tornariam estruturais no estado do Rio de Janeiro ainda com Leonel Brizola governador.
Leonel Brizola/ Nilo Batista perdem a eleição para Marcelo Alencar e saem muito mal avaliados da gestão como governadores.
Brizola é candidato a Presidente da República, tem uma inexpressiva votação. Apesar de todo o carinho que a população do Rio de Janeiro tem por Brizola, que a população do Brasil tem por Brizola, ele fica em quinto lugar, abaixo de Enéas e Orestes Quercia.
Enfim, eu estou chamando atenção para os governos Garotinho e Rosinha de 1999 até dezembro de 2006, para a sua luta em se afirmar como uma liderança política fluminense – digo fluminense porque vem do norte do estado, vem de Campos, e se afirma com sucesso em todo o estado, mas sofre com uma forte objeção a sua figura, uma rejeição, uma discriminação da cidade do Rio de Janeiro.
A cidade do Rio de Janeiro rejeita a família Garotinho por sua origem não carioca, caipira, por ser um político de Campos, do interior, sem estágio de moradia na zona sul da cidade como Moreira Franco ou Saturnino Braga. É tratado como provinciano, com desprezo, como lixo, com ódio do Leme ao Pontal/ Grumari, na faixa carioquissima “Tim Maia”.
Garotinho se afasta do governo em abril de 2022, Benedita da Silva assume.
Não dá para falar muito do governo de seis meses de Benedita da Silva, ela não teve tempo de estabelecer uma marca, com excessão do zepelim, do dirigível observador, nos céus da Guanabara.
O reflexo, impacto e influência do governo Anthony Garotinho se dá na eleição de 2002, com a vitória acachapante de Rosinha Mateus Garotinho no primeiro turno da eleição para governadora.
Garotinho no plano nacional faz uma candidatura muito bem sucedida contra Lula, José Serra e Ciro Gomes. Lula se elege no segundo turno, com uma campanha bem sucedida contra José Serra.
A candidatura de Ciro Gomes, também, é bem-sucedida no estado do Rio de Janeiro e Anthony Garotinho vai muito bem, e consegue o terceiro lugar bem próximo do segundo colocado que foi José Serra.
A eleição de Rosinha Matheus Garotinho em 2002, no primeiro turno, reflete a memória muito recente do período de 1999 a 2002 de Anthony Garotinho e o carinho da maioria dos moradores da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, da Região Metropolitana e das dezenas de municípios do interior do estado.
Pelo ponto de vista de uma racionalidade política, a candidata mais forte seria Benedita da Silva, já que Lula alavancava a preferência do eleitor carioca e do eleitor fluminense.
Lula é o mais votado no Estado do Rio de Janeiro, juntamente com Rosinha Matheus Garotinho.
O governo Rosinha Matheus Garotinho dá continuidade às propostas do governo Anthony Garotinho nas áreas sociais, de segurança pública e, sobretudo, na proteção social e formação de redes de acolhimento afetivo/social de pobres e desvalidos.
Este balanço é importante para que se perceba como os discursos de desconstrução de imagens públicas são mais poderosos do que os fatos, do que as realidades vívidas. Quando verificamos os fatos, pesquisamos os dados, a realidade da gestão de Anthony Garotinho de 1999 a 2002 e os fatos, a realidade e os dados do governo de Rosinha Garotinho de 2003 a 2006, ficamos surpreendidos com o avanço, com as realizações que o estado do Rio de Janeiro teve, sobretudo quando comparados com o período que vai de 1993 a 1998, do segundo governo Leonel Brizola e os quatro anos do governo Marcelo Alencar. Essa base do governo Anthony Garotinho e do governo Rosinha Matheus Garotinho é o patamar, é o trampolim para o governo, extremamente bem sucedido pelo ponto de vista da gestão, pelo ponto de vista do fortalecimento do estado do Rio de Janeiro como ente federado nacional, que Sérgio Cabral faz entre 2007 e 2010, com irrestrito apoio e verbas de Lula presidente da república. Independentemente de falar em qualquer tipo de desvio, ilegalidade ou qualquer outra coisa, você tem que os governos de Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral foram bem sucedidos em suas propostas.
Os dramas que começamos a viver não acontecem, somente, no governo Luiz Fernando Pezão, quando já temos uma outra realidade.
A partir de 2010, início de 2011, com o governo Dilma Rousseff e o segundo mandato do governador Sérgio Cabral, começamos a viver uma dificuldade estrutural no país, uma disfuncionalidade socioeconômica e política de que as manifestações de 2013 são um sintoma para lá de evidente.
Essas dificuldades estruturais têm reflexos diretos no estado do Rio de Janeiro.
Isso faz com que o segundo mandato de Sérgio Cabral não tenha a sucessão de impactos favoráveis que teve o seu primeiro mandato, que é nada mais do que o desdobramento dos governos Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. É sempre bom lembrar que Sérgio Cabral foi o candidato do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho.
Sérgio Cabral assim que assumiu rompeu com a família Garotinho e levou o PT para dentro de seu governo , mas Sérgio Cabral vinha da presidência da Assembleia Legislativa por anos, apoiou todo o governo Anthony Garotinho, apoiou o governo Rosinha Matheus Garotinho, e foi o candidato oficial à sucessão de Rosinha Matheus Garotinho.
Enfim, então, faço essa reflexão, chamo atenção dos colegas pesquisadores da ciência política, da sociologia, da economia, os jornalistas: vejam os dados, mergulhem nos arquivos, vejam as estatísticas, vejam os fatos pelos fatos, esqueçam que as figuras são Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho. Esqueçam que as figuras são os Garotinhos.
Estou convencido, hoje, em novembro de 2021, com o passar do tempo, na medida em que Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho estão em um terceiro/ quarto/quinto plano da política estadual, me atrevo a dizer que nós tivemos excelentes governos com Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho.
Por quê? Porque os dados, as estatísticas, os legados institucionais, mostram esse fato como fato e não como “historinha da Carochinha”. Chamo, mais uma vez, a atenção: esqueçam a figura de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus Garotinho, antipatizados por uma política estruturada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, pelas militâncias do PT, pelas militâncias do PDT e pela máquina publicitária dos governos Lula e Dilma.
A destruição de imagem pública prévia de Garotinho e Rosinha esconde, via marketing negativo, de combate, de destruição de imagens públicas, os dados, os relatórios, as estatísticas, da realidade fática do que aconteceu no estado do Rio de Janeiro, do mês de janeiro de 1999 até 31 de dezembro de 2006.

    * Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.