No Rio é Jair Bolsonaro contra Lula, Cláudio Castro contra Rodrigo Neves e Clarissa Garotinho contra André Ceciliano.

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*Paulo Baía.

No início do mês de agosto a polarização da campanha eleitoral para Presidente da República entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro se projeta, de maneira mais concreta, mas contundente, na sucessão estadual do estado do Rio de Janeiro, afinando as campanhas de Jair Bolsonaro e Cláudio Castro.

Cláudio Castro vai, cada vez mais, decantando sua campanha em afinação com Jair Bolsonaro. A decisão da convenção do União Brasil no Rio de Janeiro pacificou internamente o partido, com a declaração do ex-governador Anthony Garotinho, que revisa corajosamente sua posição de não apoio e declara apoio público a Cláudio Castro do PL.

A chapa estadual no Rio de Janeiro do União Brasil fica totalmente afinada com o presidente Jair Bolsonaro.

A retirada da pré candidatura de Luciano Bivar para presidente da república pelo União Brasil fortalece Jair Bolsonaro.

Luciano Bivar desistiu de sua candidatura, como já era esperado, mas não partiu para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva,do PT, como se ventilou ao longo dos últimos 15 dias.

Luciano Bivar está em silêncio até agora. Tudo indica que permanecerá em silêncio dentro das próximas quatro semanas, até o dia 30 de agosto.

No estado do Rio de Janeiro, independentemente da posição nacional de Luciano Bivar, o União Brasil, comandado pelo prefeito de Belford Roxo, Vaguinho, está afinado com a candidatura de Clarissa Garotinho, apoiando Jair Bolsonaro e Cláudio Castro.

Anthony Garotinho candidato a deputado federal assegura ao União Brasil uma boa bancada, além de um apoio muito significativo em termos eleitorais para Cláudio Castro por parte da família Garotinho, unida e afinada na mesma direção de Cláudio Castro e Jair Bolsonaro.

Nesse momento, o apoio unificado da família Garotinho a Cláudio Castro e Jair Bolsonaro é um contraponto importante, tático, estratégico e eleitoral às ações estratégicas e táticas das campanhas de Rodrigo Neves, André Ceciliano e Lula da Silva, que avançou bastante no sentido de consolidar uma aliança prática com Eduardo Paes dando o cargo de vice-governador para Felipe Santa Cruz na chapa do PDT com o PSD. Estão juntos numa aliança que deve se consolidar oficialmente, na quarta-feira, dia 04/08, com o PT Nacional fazendo com que o PT-RJ apoie formalmente Rodrigo Neves do PDT.

O PT, ao apoiar Rodrigo Neves no estado do Rio de Janeiro, alinha a campanha de Rodrigo Neves à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, deixando Ciro Gomes absolutamente isolado ou a caminho de desistir. Ciro Gomes se não desistir ficará isolado, solitário, como Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin em 2018, pelo MDB e pelo PSDB.

Com certeza, no estado do RJ, Marcelo Freixo, mesmo abandonado pelo PT como candidato oficial, não tem muita alternativa: Marcelo Freixo, com o perfil de eleitorado do PSB, terá que apoiar, necessariamente, Luiz Inácio Lula da Silva do PT no estado do Rio de Janeiro, todos e todas sabem disso.

Não creio que o Partido Socialista Brasileiro, Marcelo Freixo e Alessandro Molon, mesmo isolados como candidatos a governador e ao senado no RJ, desistirão de suas candidaturas.

A prudência, a sensatez e sobretudo racionalidade dos cálculos eleitorais, para os próximos 4 anos, indica que a decisão política mais sábia do PSB seria a retirada da candidatura de Marcelo Freixo e de Alessandro Molon e os dois fazerem parte da nominata para deputados federais, para assim compor uma boa bancada do PSB na câmara dos deputados.

Mas isso é delírio racionalista do analista político que lhes fala, e tudo indica que não vai acontecer. Marcelo Freixo seguirá candidato ao governo do estado e Alessandro Molon candidato ao Senado. Essa chapa será a chapa da esquerda high-tech, da esquerda universitária, da esquerda acadêmica, de muitos artistas, de muitas celebridades, dos frequentadores da Praça São Salvador, das rodas músicais da Rua General Glicério em Laranjeiras, será sem dúvida a chapa da esquerda purista, que não tem alternativa a não ser votar em Lula da Silva, mas que não vai apoiar a chapa do PT-RJ oficial no Rio de Janeiro.

* Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.