O Rio na cova dos leões

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Por Ricardo Bruno

Não é recente a intenção do grupo que opera o aeroporto de Guarulhos de interferir nos destinos do Galeão. Situados nas duas principais cidades brasileiras, os terminais são fortemente concorrentes na disputa do hub internacional do país e suas conexões nacionais.

Em 2013, quando o então ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, coordenou os trabalhos para a concessão do Galeão, os operadores de Guarulhos fizeram enorme pressão para participarem da licitação do Rio. Um dispositivo da AGU vedou terminantemente a pretensão, sob a lúcida argumentação de que deveriam ser resguardados os aspectos concorrenciais entre os dois aeroportos. Na eventual vitória do grupo de Guarulhos no Galeão, ter-se-ia configurado o monopólio operacional nos dois aeroportos, com prejuízo para o Rio, dada a centralidade econômica exercida por São Paulo.

A participação dos paulistas na reunião de hoje para redefinir o edital do São Dumont, portanto, causa estranheza.  É obvio que o interesse de Guarulhos é dificultar a pujança do Galeão, seu principal concorrente na disputa dos voos intercionais.

Permitir a participação dos paulistas na comissão do Santos Dumont revela não só desrespeito com os representantes do Rio. Mostra, sobretudo, que a Secretaria de Avião Civil foi capturada pelos interesses predatórios do mercado, abdicando da função pública de reguladora das operações em nome do estado brasileiro.

De resto, as autoridades do governo federal parecem ter apostado mesmo é na implosão da tentativa de acordo, soltando os representantes do Rio na cova dos Leões. Nitidamente, coisa de quem não quer mudança alguma.