Pesquisa DataFolha é novidadeira!

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* Paulo Baía.

A pesquisa do DataFolha no dia 28 de julho de 2022 traz grandes inovações metodológicas. Normalmente no Brasil as pessoas encaram as pesquisas não como um retrato do momento, mas sim como prognóstico, como palpite certeiro do que vai acontecer. As pesquisas de opinião e as pesquisas de mercado não têm essa finalidade, de serem prognósticos.

A sociedade brasileira mudou muito, assim como a sociedade nos demais países. Há uma nova configuração urbana mundial e brasileira. Conseguimos perceber esta nova configuração e desenho urbano brasileiro na pesquisa do DataFolha, ao mesmo tempo em que há um sistema de reconfiguração e modernização do chamado mundo rural, também presente no grupo amostral e nas localidades escolhidas no universo de cidades brasileiras. As estratificações sociais, segmentos A, B1, B2, C1, C2 e DE, que compõem o grupo amostral, ganham ainda maior reforço com a utilização de softwares de Inteligência Artificial, que ainda são pouco usados, mas ganham no dia-a-dia maior frequência e dimensão, estabelecendo novas formas de relacionamento entre o pesquisador e os pesquisados. Não apenas com a entrevista direta face a face, ou a entrevista por telefone, que hoje está sendo muito utilizada.

No caso dessa pesquisa do DataFolha, ela foi feita pelo método direto, presencial, face a face.

Essa pesquisa do Instituto Datafolha publicada no dia 28 de julho já apresenta muitas dessas novidades. Ao longo dos três dias de entrevistas, publicaram uma pesquisa específica, parte da pesquisa maior, sobre a faixa etária de 15 a 29 anos. Outro elemento importante é a introdução do sentimento do eleitor, sobretudo o eleitor jovem entre 15 e 29 anos, as suas emoções, como está o cenário existencial de cada pesquisado dentro do contexto psicossocial que o país vive no final do mês de julho de 2022. Esse é um dado precioso para entender a decisão do voto, não apenas da juventude, mas de toda pirâmide etária do eleitorado brasileiro contabilizado pelo TSE, que será de 156.454.011 eleitores habilitados a votar nos dias 02 e 30 de outubro.

Outra pergunta chave foi a fidelização do voto, tanto na pesquisa espontânea como na pesquisa induzida. O que traz um dado importantíssimo para toda a comunidade de analistas políticos, jornalistas e cientistas sociais, de que as pessoas que estão escolhendo os candidatos à presidência da república apresentados estão escolhendo já com convicção de que estes serão os seus votos no dia 2 de outubro. Isso é uma novidade, pois o sistema de verificação da fidelização de voto era uma pergunta genérica, solta no grupo amostral.

Na análise da pesquisa do Datafolha a maioria das pessoas que observei, até o momento em que escrevo este artigo, está prisioneira em discutir apenas e dar destaque às citações e aos índices de Lula da Silva e Jair Bolsonaro, tanto na pesquisa espontânea quando na pesquisa estimulada. Porém, essa pesquisa do DataFolha traz um universo de novidades para que se entenda o processo eleitoral em curso até o final do dia 28 de julho de 2022.

Fico muito feliz que o Instituto Datafolha tenha feito essa reengenharia institucional e metodológica, como venho pedindo, sendo um velho analista de pesquisas de mercado e de opinião, desde os anos 1970. É com grande alegria que vejo essa pesquisa do Datafolha, não pelos seus números, e sim por seu formato, por sua metodologia e pela dinâmica como foi feita a coleta de dados, como foi desenhada a amostra, como foram escolhidas as cidades, como foram selecionados os entrevistados. A pesquisa Datafolha é a pesquisa mais consistente de todo esse processo, de janeiro de 2022 até agora; e a pesquisa do Datafolha de 28 de julho marca o início de uma nova etapa, com maior rigor, maior precisão e maior confiabilidade. Eu não tenho dúvida de que os demais institutos, que tem propósitos sérios e querem conquistar mercado, seguirão o mesmo modelo.

A pesquisa do DataFolha que nos foi apresentada nos dá confiança, como analistas, de usar seus dados; e confiança a todos os agentes políticos para entenderem o retrato apresentado na pesquisa até o dia 28 de julho de 22. Chamando atenção: não olhem só para os percentuais de Lula da Silva e de Jair Bolsonaro, é importante ler todos os detalhes da pesquisa, de maneira extensa e minuciosa.

Por exemplo, nesse Datafolha, tem-se a perspectiva de que a polarização entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro está produzindo e vai produzir uma campanha muito tensa, uma campanha nervosa, uma campanha violenta e conflituosa ao extremo. As posições estão, em 28/07/22, muito bem estruturadas lado a lado, individualizadas, como uma questão de moral e honra.

O Instituto Datafolha demonstra por essa pesquisa que já na pré-campanha estão quase tudo e todos efetivamente polarizados entre os dois candidatos, o do PT – Lula da Silva e o do PL – Jair Bolsonaro. Esse nervosismo, essa radicalização, esse ethos guerreiro, vai levar a conflitos de rua, a brigas com palavras, ofensas, socos, pontapés, atentados e assassinatos, cenário que já vinha sendo percebido por setores de inteligência das diferenças áreas da segurança pública. Na minuciosa pesquisa do Datafolha isso fica muito evidente. O TSE já vem tomando medidas para garantir a segurança do eleitor nos dias 02 e 30 de outubro, assim como, preventivamente, vem tomando medidas e diretrizes de segurança para proteger a população das cidades, das áreas rurais e dos territórios da Amazônia Legal, já durante a pré-campanha e durante todo o período de campanha eleitoral oficial, que se inicia após 15 de agosto. A exemplo do TRE do Estado do Rio de Janeiro, que implantou um Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional, com uma boa estrutura de Informação, Inteligência e Controle, para monitorar, previamente, as possibilidades de conflitos, de atentados, e de brigas verbais e corporais, outros TREs estão indo na mesma direção.

O Gaesi/TRE-RJ, nas palavras do TRE/RJ é a “coalizão de forças da segurança pública que atuará de forma integrada para prevenir e reprimir condutas criminosas e ilícitos nas eleições deste ano”.

O Gaesi do TRE-RJ é formado por seu presidente, o desembargador Elton Leme, pelo vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador João Ziraldo Maia, pelo juiz-auxiliar da Presidência, Marcel Duque Estrada, pelo juiz-auxiliar da Vice-Presidência e Corregedoria Regional Eleitoral, Rudi Baldi, pelo assessor de Pesquisa e Análise do TRE-RJ, Marcio Tobias, por representantes da Procuradoria Regional Eleitoral, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, do Comando Militar Leste do Exército Brasileiro, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das Polícias Civil, Militar e Penal do Rio de Janeiro, além de representantes da Guarda Municipal da cidade do Rio de Janeiro.

Então podemos dizer: que Lula da Silva está confortável na disputa para o primeiro lugar no dia 02 de outubro, que Jair Bolsonaro está bem posicionado para chegar bem em segundo lugar no primeiro turno e inferir que existe uma probabilidade, mesmo que remota, da eleição presidencial ser resolvida no dia 02 de outubro de 22, com Lula da Silva com 50% mais um voto.

É o que nos falam os números, dados e informações da pesquisa do DataFolha, às 18:30h do dia 28 de julho do ano em curso.

* Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.