Uma batalha sem vencedor

Mais do que definir a questão do ponto de vista administrativo, o resultado da votação dos vetos hoje pode mudar o tom da relação entre o Palácio Guanabara e a Alerj, estabelecendo o confronto como regra. Neste caso, seguramente, não haverá vencedor. Todos perdem, inclusive a sociedade.

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RICARDO BRUNO

A mobilização do Palácio Guanabara para tentar manter o veto do governador Cláudio Castro à forma de pagamento de uma gratificação aos bombeiros e aos policiais militares fez aumentar enormemente as expectativas em torno do resultado da votação. O que seria um movimento de rotina do Parlamento na análise de veto do Executivo tornou-se batalha de vida ou morte, como se estivessem em jogo os destinos do estado. Ainda que isso não reflita a realidade, o resultado será interpretado como uma demonstração de força de um lado sobre o outro, trincando a harmonia até aqui presente entre os dois poderes.

  A exoneração momentânea dos cinco deputados que ocupam secretarias para garantir maioria em plenário evidencia o absoluto engajamento político do governo na tarefa. Se de um lado o movimento é legítimo, de outro mostra que a questão ganhou enorme relevância política, tal a mobilização empreendida, desproporcional ao conteúdo da matéria.

Em essência, vai se decidir na votação desta quarta-feira se o pagamento da gratificação especial será realizado em duas parcelas, como estabelece a lei aprovada pela Alerj ou em cinco, como propõe o governador em decreto. O valor envolvido é de cerca de R$ 300 milhões, nada tão relevante para um orçamento de mais R$ 90 bilhões.

De natureza exclusivamente política, pois não fundado em questões de efetiva importância administrativa, o impasse poderia ter sido superado pela negociação. Talvez, a aproximação das eleições, com o frisson natural do processo, tenha atrapalhado, embotando a capacidade de diálogo dos atores envolvidos.

Mais do que definir a questão do ponto de vista administrativo, o resultado de hoje pode mudar o tom da relação entre o Palácio Guanabara e a Alerj, estabelecendo o confronto como regra. Neste caso, seguramente, não haverá vencedor. Todos perdem, inclusive a sociedade.