Washington Quaquá é o “Cara”, o facilitador!

Lula e Quaquá

* Paulo Baía

A decisão do vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, ex-presidente da seção Rio de Janeiro do PT, e da atual direção estadual do PT do Rio de Janeiro, João Maurício, de inicialmente solicitar à executiva nacional o rompimento da aliança eleitoral com o PSB de Alessandro Molon e Marcelo Freixo, e agora pedir a liberação dos filiados do PT-RJ de fazerem a campanha de Luis Inácio Lula da Silva com outras candidaturas além de Marcelo Freixo, é apostar numa aliança prática e informal com Rodrigo Neves/Felipe Santa Cruz.
Washington Quaquá retirou o pedido de rompimento da coligação com o PSB por influência e respeito a Lula e seu “Estado Maior”.
O palanque de Marcelo Freixo/Alessandro Molon está liberado para dar uma unidade à esquerda hi-tech, à esquerda cultural e artística, à esquerda da zona sul do Rio de Janeiro, à esquerda das celebridades, à esquerda das universidades públicas, que apoiam em peso e majoritariamente Marcelo Freixo e Alessandro Molon.

Lula da Silva sabe que tem fidelidade do voto de Rodrigo Neves, que é seu parceiro de décadas, como filiado ao PT e depois filiado ao PDT como prefeito da cidade de Niterói, que sempre governou com o PT-RJ em seu governo.
Lula e seus staff estratégico sabem que Rodrigo Neves vem há 30 dias declarando apoio público a Luiz Inácio Lula da Silva, e sabem que, na prática, a candidatura de Ciro Gomes é desconhecida pela quase totalidade dos militantes e dos filiados do Partido Democrático Trabalhista, assim seu desfecho é o esquecimento pragmático ao longo das próximas semanas, de amanhã até o final do mês de agosto.
Até o dia 09 de agosto, terça-feira próxima, a direção nacional do PT aprovará a proposta conciliadora de Washington Quaquá. Esse desfecho tem dia e hora para acontecer.

A direção nacional do Partido dos Trabalhadores manterá o apoio formal à chapa de Marcelo Freixo/César Maia com Alessandro Molon e André Ceciliano como candidatos ao senado, e liberará seus militantes, seus dirigentes, seus parlamentares no RJ para apoiar qualquer outra candidatura que não seja vinculada a Jair Bolsonaro ou que lhe seja flexível, como é o caso do governador Cláudio Castro que, embora seja fiel a Jair Bolsonaro, não irá impedir suas diversas, múltiplas alianças de apoiarem Luiz Inácio Lula da Silva, como é o caso formal do MDB-RJ com Washington Réis vice de Castro.
O PT nacional, por iniciativa e articulação de Washington Quaquá, deixará o território petista livre para o apoio a Rodrigo Neves/Felipe Santa Cruz do PDT/PSD.

O apoio de Washington Quaquá não é um apoio recente a Rodrigo Neves, é um apoio e parceria antiga, de duas a três décadas. Como eu vem afirmando, Washington Quaquá, João Maurício, André Ceciliano e Rodrigo Neves formam um “Comitê Solidário e Estratégico” no estado do Rio de Janeiro, fora da cidade do Rio de Janeiro, no eixo Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Baixada Fluminense.
Washington Quaquá e André Ceciliano formam o “meio de campo” tático e estratégico das gestões do PT com o PDT, como contraponto à influência e hegemonia histórica da cidade do Rio de Janeiro sobre todos os territórios do estado do RJ. É o outro lado da Baía de Guanabara, com Maricá e Niterói sendo governados por PT e PDT por décadas.
Rodrigo Neves começou no PT e se moveu em direção ao PDT-RJ. Como prefeito de Niterói, com força política e prestígio popular, manteve o PT em seu governo.

O triângulo Rodrigo Neves, André Ceciliano e Washington Quaquá se fortaleceu no conjunto de todos os territórios do estado do Rio de Janeiro. Os três foram decisivos na eleição de Eduardo Paes na cidade do Rio de Janeiro.
Washington Quaquá vai funcionar como o dínamo, como motor de propulsão de uma aliança prática/emocional, que faz de Rodrigo Neves o principal e mais forte candidato ao governo do estado do RJ, desde a decisão sábia de Eduardo Paes ao apoiar Rodrigo Neves do PDT, oferecendo a Felipe Santa Cruz o lugar de vice-governador.
Eduardo Paes fez de Rodrigo Neves o principal e mais atrativo candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, para enfrentar o governador Cláudio Castro/Washington Reis e a campanha de Marcelo Freixo/César Maia.
Nesse momento, a campanha de Marcelo Freixo do PSB me faz lembrar de duas campanhas do PT e das esquerdas puras no passado ao governo do estado do Rio de Janeiro: pelo Partido dos Trabalhadores – PT em 1982, com Lysâneas Maciel, e do verde Fernando Gabeira, como candidato ao governo do RJ em 1986.

Sempre ressalto que a esquerda purista, os ecolibertários e os ambientalista genéricos, com a performance bem sucedida de Fernando Gabeira no PT, derrotaram Darcy Ribeiro do PDT brizolista e elegeram Moreira Franco, já no PMDB do “Plano Cruzado” de Dilson Funaro/José Sarney. Moreira Franco é grato a Fernando Gabeira até hoje, pelo presente requintado, a dádiva eleitoral como um DOM, que recebeu de mão beijada, com o peito em festa e o coração gargalhar pela genialidade do inédito ato de um abraço solidário na Lagoa Rodrigo de Freitas, com os milhares de ” botons de Borboletas multicoloridas , foi um orgasmo coletivo em dia de sol ameno e aconchegante.

A campanha de Marcelo freixo é uma campanha feita para agradar uma fatia do eleitorado que não tem alternativa a não ser votar em Lula. A dupla Marcelo Freixo/Alessandro Molon, veio para agradar e celebrar essa parcela do eleitorado, que é composta por uma esquerda purista, mas que não vota ou votaria em Cyro Garcia do PSTU, o faz o velho e bom camarada Marcelo Augusto Diniz Cerqueira com seus 93 anos de idade, ou no professor da Escola Politécnica de Engenharia da UFRJ, Eduardo Serra, do novo PCB.
O fato político mais significativo pelo ponto de vista político/eleitoral foi protagonizado pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, com o “Gambito da Rainha” , com o “Roque de Rainha” que fez ao sacrificar a candidatura de Felipe Santa Cruz como governador no período de início da convenções partidárias.

Eduardo Paes fez um “Gol de Placa” , mesmo sendo Vasco da Gama, inspirado nos grandes campeonatos e lances de genialidade dos mundiais dos jogos de Xadrez até os anos 2010, retirar Felipe Santa Cruz e fazer a composição prévia, a priore e indissociável com Rodrigo Neves formalmente, aliando a centro direita, o centro, a centro esquerda, ambientalista, ecolibertarios, reformadores sociais, trabalhistas, socialistas democráticos e religiosos cristãos católicos, protestantes e evangélicos pentecostais e neopentecostais em um único expectro eleitoral, como era e é o desejo da Chapa Lula da Silva/Geraldo Alckmin na “Aliança Nacional” contra uma direita radical e mentirosa, uma direita genérica e moral, de uma parcela da centro direita e do centro patrimonialista/clientelista, que apoiam Jair Bolsonaro sem muita convicção política e ideológica, mas por motivos de urgências cotidianas e rejeição momentânea a Lula e ao PT pelos os efeitos danosos do “Lavajatismo” e dos afetos de ódios rasteiros e vingativos de um “punitivismo judicial/penal de recorte calvinista, vitoriano e/ou macarthista, ou no dizer de Luiz Werneck Vianna, um movimento de tenentismo togado no poder judiciário de primeira instância e no corpo funcional da maioria dos promotores de justiça e procuradores dos variados MPs.

Com esse arranjo político eleitoral, Lula equacionou sua estratégia/ tática política/existencial/eleitoral com capacidade de promover uma dura e eficiente inflexão na sólida base de apoios de Jair Bolsonaro, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que vão decidir a eleição junto com o Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraná.
Trouxe o Partido Social Democrata – PSD de Gilberto Kassab para o campo antibolsonarista, com Geraldo Alckmin, Alexandre Kalil e Eduardo Paes.
A posição de Washington Quaquá, André Ceciliano e Rodrigo Neves, reflete a posição dos estrategistas da campanha Lula, para desespero dos artífices da campanha de reeleição de Jair Bolsonaro.
O poderoso trio de gestão tática/ estratégica formado por Washington Quaquá, André Ceciliano e Rodrigo Neves não ficaria e não ficará fora da estratégia global de Lula da Silva.

Continuo a insistir, a chapa mais forte para o governo do estado do Rio de Janeiro neste momento não é de Cláudio Castro/Washington Reis, é a de Rodrigo Neves/Felipe Santa Cruz, que mesmo com o apoio formal do PT à candidatura de Marcelo Freixo/César Maia dá a Lula um palanque sólido, significativo e simbólico.
Rodrigo Neves dá outro palanque a Lula, mais sólido, mais abrangente, mais popular, que é o palanque de Eduardo Paes/Rodrigo Neves, que não participará do palanque de Ciro Gomes.
Eu gostaria de saber, por curiosidade sociológica, quem no estado do Rio de Janeiro apoia de verdade, efetivamente, a candidatura de Ciro Gomes, dentro do PDT ou fora da PDT.

O “Gambito de Rainha”, o “Roque de Rainha” de Eduardo Paes e Rodrigo Neves, está produzindo já com sucesso suas jogadas sequenciais de controle do “Meio do Tabuleiro”, emparedando os adversários, que no caso são dois simultaneamente: Marcelo Freixo/César Maia e Cláudio Castro/Washington Reis, com o MDB de Washington Reis apoiando formalmente Lula da Silva.

* Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ