Cláudio Castro e Romário lideram cenários eleitorais no estado do Rio de Janeiro.

O cientista político Paulo Baía fez a análise dos números da pesquisa Genial Quaest com exclusividade para a Agenda do Poder

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* Paulo Baía

O Instituto Quaest, associado ao grupo Genial, um grupo do sistema financeiro, realizou ao longo desses últimos dois, três dias, a primeira pesquisa de avaliação eleitoral para o estado do Rio de Janeiro, para os candidatos ao governo do Estado e para os candidatos ao Senado Federal.

O primeiro destaque dessa pesquisa é que o eleitor, hoje, em 22 de março, mostra-se ainda sem uma definição clara de quem serão seus candidatos ao governo do Estado e ao Senado Federal. Em pesquisa espontânea, o percentual que não tomou uma decisão está acima de 60%, o que é muito expressivo para a época do ano, já final de março. E os nomes dos pré-candidatos estão em ação desde agosto de 2021. Nesse sentido, você tem uma indefinição. Mas esta indefinição não é uma indefinição absoluta, ela é uma indefinição com alguns cacoetes, diria eu, uma indefinição na medida em que o eleitor pode não se sentir ainda confortável de ter que escolher um candidato e prefere esperar um outro momento para reafirmar um nome que já está em sua mente ou outro nome que venha a surgir.

No desdobramento da pesquisa, quando sai do campo espontâneo para o campo estimulado, surge uma definição que me parece continuará até o final da campanha, até o dia 2 de outubro, dia do primeiro turno.

Antes de falar nesse cenário, vou falar um pouco sobre a avaliação do governo Claudio Castro. Os dados da pesquisa espontânea, assim como da estimulada, mostram que a população não rejeita o governo Claudio Castro. O índice de desaprovação é pequeno. Há um índice razoável de indecisão, de não opinião, e um índice muito bom de aceitação do governo Claudio Castro. Outro dado importante é que uma parcela significativa, acima de 60% dos eleitores acreditam que Claudio Castro deve ter uma nova oportunidade de governar o estado do Rio de Janeiro. Isso é um indicador de que esse eleitor, que diz que Claudio Castro merece uma segunda oportunidade, pode se transformar em voto para o governador.

Nos cenários dirigidos, em todas as categorias da pesquisa, por região, por religião, em todos os segmentos que compõem a amostra da pesquisa – e eu quero ressaltar que o Instituto Quaest é muito rigoroso na sua metodologia – nessa pesquisa estimulada Claudio Castro é o preferido em todos os cenários, seguido por Marcelo Freixo, também com bom desempenho, mas consagrado em segundo lugar em todos os cenários. Quando se avança, esmiuçando na estimulada a relação dos candidatos a governador com o presidente Lula e com o presidente Jair Bolsonaro, temos um empate técnico entre Claudio Castro e Marcelo Freixo. Marcelo Freixo, com apoio de Lula, tem um pouco mais de preferência e Claudio Castro, com o apoio de Bolsonaro, tem uma posição um pouco abaixo de Marcelo Freixo. Nada significativo, de grande impacto. O que me chama atenção é que se Cláudio Castro e Marcelo Freixo não tiverem o apoio nem de Lula nem de Bolsonaro suas chances eleitorais aumentam, as oportunidades de receber votos aumentam, o que demonstra o elevado nível de rejeição tanto de Lula quanto de Jair Bolsonaro no estado do Rio de Janeiro.

Em todos os cenários de segundo turno, nós vemos que Rodrigo Neves, Felipe Santa Cruz e André Ceciliano não se destacam até o momento.

Quando passamos a analisar o quadro para a vaga ao Senado Federal, vemos que a população do estado do Rio de Janeiro ainda não ‘se ligou’, ainda não tomou uma decisão para o Senado. Em termos espontâneos vemos que a maioria dos entrevistados não tem um candidato, não cita o candidato espontaneamente. Quando avançamos para a pesquisa estimulada, onde os nomes são apresentados, o senador Romário se destaca em todos os cenários, em todas as faixas amostrais, com uma certa facilidade. E, uma surpresa, o nome do ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-senador Marcelo Crivella surge bem posicionado em todas as regiões do estado do Rio de Janeiro, em todas as categorias e faixas amostrais como segundo colocado. Na terceira posição vem a jovem deputada Clarissa Garotinho. Abaixo de Clarissa Garotinho temos outros nomes como André Ceciliano, Washington Reis, outros nomes. Mas o quadro hoje, dia 22 de março de 2022, mostra que Romário consolida uma posição privilegiada a essa altura do ano para se reeleger senador. E quem pode ameaçar essa vantagem de Romário é Marcelo Crivella, Clarissa Garotinho. O nome de André Ceciliano, que é querido nos meios políticos, não demonstra vitalidade, da mesma maneira que os demais nomes citados não demonstram vitalidade. Destaco, sobretudo, o nome de Alessandro Molon, na medida em que Molon é um parlamentar com muita visibilidade, que está com sua pré-campanha ao Senado bastante ativa. Mas o seu nome não tem a adesão que Marcelo Crivella ou Clarissa Garotinho tem, na medida em que Marcelo Crivella e Clarissa Garotinho ainda não se definiram como pré-candidatos ao Senado.

Enfim temos esse primeiro ponto da pesquisa Quaest/Genial como ponto zero de uma nova série histórica, uma nova série histórica importante para o estado do Rio de Janeiro. E o ponto de partida define Claudio Castro ganhando, no segundo turno, a eleição contra Marcelo Freixo e o senador Romário sendo eleito no dia 2 de outubro senador pelo estado do Rio de Janeiro.

*Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ, em 22 de março de 2022.