Jair Bolsonaro continua muito bem colocado nas pesquisas.

Última atualização:

*Paulo Baía

As pesquisas de diversos institutos, de janeiro de 2022 até o final de março de 2022 mostram uma tendência de melhora da imagem de Jair Bolsonaro junto à população. Agora, passado o dia 02 de abril, em que a janela partidária e o prazo de filiação para candidaturas se encerra, nós temos definidos os jogadores que estarão nesta contenda de outubro deste ano para deputado estadual, para deputado federal, para governador, para senador e presidente da República. O novo movimento, que teve início a partir do dia 02 de abril e que deve se acelerar a partir da segunda feira, dia 04 de abril,  tem uma nova característica. É o momento em que vão se definir quais as equipes que vão jogar, que vão entrar na contenda para presidente da República, para o Senado Federal e para governador do Estado, na medida em que os partidos terão que ter nominatas próprias para deputado estadual e para deputado federal.

Ou então vão ter que se juntar, não em coligação, mas em uma federação partidária, o que marca a inauguração de um partido parlamentar de primeiro de janeiro de 2023 até o final da próxima legislatura na Câmara dos Deputados, o que é uma novidade no Brasil. Ainda não sabemos quais as federações que vão surgir, mas, com certeza alguma federação deve surgir ao longo desse período, até as convenções.

O fato que venho chamando a atenção, de que Bolsonaro está muito bem colocado, incomoda sobretudo os militantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Eu não me aborreço com a irritação desses militantes, faz parte do nosso trabalho. Há uma diferença clara entre analistas e militantes. Há uma diferença também entre analistas posicionados num determinado campo e as candidaturas. Um exemplo que dou é do Alberto Carlos de Almeida, que foi meu colega aqui no Rio de Janeiro, meu colega de ofício há muitos anos, e que tem uma definição clara de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É um estrategista dessa campanha. Entretanto, ele sabe distinguir bem o que é que análise e o que é militância. Inclusive ele usa bem a análise para formular as estratégias de campanha na qual ele é solicitado.

Chamo a atenção para isso porque toda vez que publico um artigo falando que o presidente Bolsonaro está muito bem colocado nas pesquisas os militantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ou de Ciro Gomes se apressam em dizer que os números são mentirosos. Que os números não são bem assim, que Lula está na frente. Eu tenho paciência de explicar que realmente Lula está à frente, que a campanha ainda não começou, que é evidente que ninguém ganha ou perde eleição antes do dia da eleição.

 Não é pesquisa não define o vencedor nem o perdedor de uma eleição. Mas as pesquisas são indicadores do atual momento. Vejam esse dado da pesquisa do Datafolha, realizada no final de março, entre os dias 23 e 24 de março, sobre a visão que se tem do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia. Há nos círculos jornalísticos, nos círculos acadêmicos, nos círculos sanitários do país, uma ideia de que a população vê com maus olhos a gestão do governo federal, do presidente  Bolsonaro, em relação à pandemia. Os dados vêm mostrando que isto não é bem uma realidade. A visão que a população tem da atuação do presidente em relação à pandemia de Covid-19 vai a cada dia se modificando, vai a cada dia se tornando melhor. Olhem os dados da pesquisa que mostram essa modificação do cenário, nos dias 23 e 24 de março de 2022, isso sem uma campanha, isso com os dados quase diários mostrando as 650 mil mortes por Covid-19, mostrando os milhões de sequelados com a Covid-19. Nós vamos vendo isso com o passar do tempo, o final da pandemia, a volta à normalidade da vida social – embora eu não goste dessa palavra normalidade – mas já há uma vida social intensa nos estados, em todos os estados da Federação Brasileira, em todas as cidades, em todos os nossos 5.570 municípios, mais a cidade de Brasília.

Eu chamo a atenção para que os militantes tenham não o desespero de militante diante dos dados, mas que eles tenham nas pesquisas argumentos para melhorar suas performances como militantes. Os candidatos a deputado estadual,  os candidatos a deputado federal tenham elementos para melhorar suas performances em suas pré-candidaturas e suas candidaturas, que virão a partir de junho. Que o conjunto de pensadores do país não fique atrelado a uma ideia preconcebida, uma ideia predeterminada antes da campanha eleitoral, antes dos impactos de uma campanha eleitoral. Todos os candidatos sofrem o impacto da campanha eleitoral. Volto a insistir, não se ganha uma eleição previamente e não se perde uma eleição previamente. Nós só vamos saber quem ganhou a eleição, quem perdeu a eleição, no final do dia 2 de outubro. Saberemos quem são os deputados estaduais, quem são os deputados federais, saberemos quem é o senador em cada estado da Federação e vamos saber aqueles governadores que foram já eleitos no primeiro turno ou quais os dois que irão para o segundo turno no dia 29 de outubro. Vamos saber se algum dos candidatos a presidente da República ganhou no dia 2 de outubro ou quais os dois nomes que irão para o dia 29 de outubro.

Então chamo a atenção para este fato, não cantem vitória antecipada, também não cantem derrota antecipada. Não digam que todos os candidatos estão fora do jogo. Nenhum candidato está fora do jogo. Nenhum candidato também ganhou o jogo previamente ou perdeu o jogo previamente. Temos, com o cenário de hoje, com todas as pesquisas de institutos diferentes de janeiro, fevereiro e março de 2022, duas candidaturas que têm perspectivas positivas para 2 de outubro, a nível de presidente da República: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro. Se você me perguntar qual o que está a frente eu direi: nem um nem outro. O quadro atual mostra que os dois têm níveis iguais de competitividade. Eu ressalto: níveis iguais de competitividade. Eu não estou dizendo que eles estão igualados na preferência do eleitor captada nas pesquisas eleitorais agora. Não é isso. Nós temos uma maior preferência na indicação induzida de candidatos, quando os candidatos são apresentados ao  entrevistado, para o presidente Lula. Em segundo lugar, o presidente Bolsonaro. Entretanto, quando é espontâneo o voto, há um rigoroso empate entre Lula e Jair Bolsonaro.

Assim, eu volto a falar, esperando as pancadas de sempre: o presidente Jair Bolsonaro está muito bem colocado nas pesquisas publicadas de janeiro, fevereiro e março por todos os institutos. Chamo a atenção dessa pesquisa do Datafolha sobre a imagem do presidente Bolsonaro em relação ao trato da pandemia e como é que a população avalia o seu comportamento em relação à pandemia da Covid-19.

*Sociólogo, Cientista Político e Professor da UFRJ