Na Quaest Lula com “Sinal Amarelo Piscante” e Jair Bolsonaro com “Sinal Verde com Obstáculos”

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* Paulo Baía.

Pesquisa do Instituto Quaest publicada nos dias 01e 02 de Agosto não apresenta muita diferença em relação a pesquisa Quaest anterior, publicada no dia 20 julho de 22.

Pela mais recente Quaest, podemos verificar alguns requintes metodológicos que deixam a pesquisa mais consistente, mais precisa. O Instituto Quaest sofisticou suas técnicas, sua metodologia, com softwares de Inteligência Artificial para escolher os municípios a serem pesquisados, para definir o perfil dos entrevistados no conjunto amostral, para definir quem é quem nas categorias A, B1,B2,C1,C2, DE nas estratificações socioeconômicas da classificação formulada pela ABEP- Associação Brasileira das Empresas de Pesquisas, o que permitiu que a margem de erro fosse definida em 2%, com uma variância de 4%. Com tranquilidade e segurança essa margem de erro poderia ser de 1,5%.

Um margem de 2% no máximo é um indício de que a pesquisa tem solidez técnica, metodológica e de realização.2% é uma margem de erro boa, confiável para uma pesquisa de opinião, não fica aquela coisa larga, elástica de 2.8%, como foi a pesquisa anterior da própria Quaest.

Mesmo com a diferença nas margens de erro de 2.8, podemos afirmar que não houve grande modificação nos números globais da pesquisa anterior para esta pesquisa dos dia 01 e 02 de agosto, isso quando pegamos os dados globais, os dados totais de aceitação nos cenários estimulados e espontâneos, Lula da Silva com aceitação de 44% e 51% nos cenários estimulados e Jair Bolsonaro com 32% e 37% nos mesmos cenários estimulados.

É significativo que a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro vem caindo de uma pesquisa para a outra, e já é marcante essa queda na rejeição de Jair Bolsonaro. Outro dado importante para se destacar nessa pesquisa está nas primeiras perguntas, sobre a avaliação do governo Jair Bolsonaro. A avaliação do governo Bolsonaro melhorou bastante, diria eu, melhorou muito e significativamente, da última pesquisa, no dia 20 de julho de 22 para esta nos dia 01 e 02 de agosto.

Outro questionamento que marca o bom desempenho de Jair Bolsonaro no período entre as duas pesquisas é a pergunta genérica, independentemente de em quem o entrevistado disse que iria votar no cenário estimulado, sobre a preferência de vencedor do pleito. Essa pergunta foi respondida por eleitores que vão votar em Lula da Silva, Jair Bolsonaro e demais candidaturas. Não significa que a resposta seja a do candidato em que os entrevistados irão votar no cenário espontâneo e/ou estimulado. A pergunta é: “quem você acredita que vai ganhar a eleição presidencial”. 43% afirmam que será Lula da Silva, também fica bem posicionado Jair Bolsonaro com 31%, mas em segundo lugar numericamente.

Existe um prudente, simbólico empate estatístico ampliado entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, sempre alertando que resultados de pesquisas são retratos de um momento já passado, no caso dessa Quaest dos dias 28, 29, 30 e 31de julho de 22. Não são prognósticos futuristas para o dia 02 de outubro de 22. Mesmo com Lula da Silva em primeiro lugar, de maneira geral nessa pesquisa da Quaest, o “sinal está “Amarelo Piscante” para Lula e “Verde com Obstáculos” para Jair Bolsonaro.

Essa nova pesquisa do Instituto Quaest, divulgada nos dias 01 e 02 de agosto de 22, não demonstra uma grande modificação do cenário apresentado no dia 20 de julho de 22. Entretanto, eu gosto de ir nos detalhes das pesquisas, e nessa me chamou atenção o que estão pensando os eleitores na faixa etária de 16 até 24 anos. Jair Bolsonaro melhorou bem sua aceitação nessa faixa etária do primeiro voto, enquanto Lula da Silva perdeu aceitação nesse segmento etário. Também chama atenção, entre os entrevistados que ganham até dois salários mínimos, basicamente os segmentos C1 e C2, como a performance positiva de Jair Bolsonaro é significativa e como caiu Lula da Silva, nesse segmento.

Jair Bolsonaro dispara para cima nos eleitores com 60 anos ou mais, da mesma forma que também dispara nos eleitores que ganham mais de 5 salários mínimos.

O Instituto Quaest mostra uma estabilidade na disputa entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, diria um empate político e prudente em um período pré campanha eleitoral, não digo técnico, numérico, mas um empate simbólico e sociológico entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro hoje no início do mês de agosto. A Quaest indica que existe uma leve tendência de queda em Luiz Inácio Lula da Silva e uma leve tendência de alta de aceitação a Jair Bolsonaro.

Temos pela pesquisa da Quaest que para o primeiro turno, dia 02/10, com os dados dessa pesquisa, como retrato dessa pesquisa feita entre os dias 28/07 e 31/07 e divulgada nos dias 01 e 02/08, que teremos um segundo turno no dia 30 de outubro de 22, em que Luiz Inácio Lula da Silva chega em primeiro lugar e Jair Bolsonaro em segundo lugar, com uma diferença significativa a favor de Lula da Silva, como indica essa Quaest.

Não me atrevo a fazer avaliações para o dia 30/10, só o farei depois do dia 03 de outubro de 22. O que posso dizer agora é que, se existir o segundo turno para presidente no dia 30 de Outubro, será uma disputa de extrema competitividade entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, não se podendo afirmar que nenhum dos dois ganha no dia 30 de Outubro de 22, embora essa pesquisa da Quaest faça essa simulação como retrato do agora, dos dias 28 até 31 de julho de 22, apresentado nos dias 01e 02 de agosto de 2022. Eu prefiro não fazer esse tipo de avaliação, de análise prospectiva para o dia 30 de outubro, para presidente da república e para governadores na totalidade do 26 estados e do Distrido Federal, com os retratos de todas as pesquisas apresentadas no início do mês de agosto de 2022.

Com essa mais recente pesquisa da Quaest/Genial, podemos afirmar, no momento, que haverá segundo turno entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, com Lula da Silva em primeiro lugar.

Que não existe hipótese ou possibilidades de outras candidaturas chegarem em primeiro ou segundo lugar além de Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

Que existe uma pequena probabilidade, mesmo que remota, mas real, da eleição ser definida no primeiro turno com uma vitória de Lula da Silva.

* Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.