Presidente da Petrobras mente e afirma que o ICMS dos governos estaduais é responsável pelo preço abusivo dos combustíveis

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Ao falar na comissão geral da Câmara dos Deputados, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna atribuiu a alta dos combustíveis à cobrança de ICMs pelos governadores. Fez coro a Jair Bolsonaro e ignorou informações do próprio portal da estatal que comprovam que os lucros da empresa são responsáveis por mais de 50% do preço total em bomba. (Veja gráfico abaixo)

Ao apresentar gráfico com a composição do preço, Silva e Luna omitiu a verdade e apontou que a parte que corresponde à Petrobras representa R$ 2 no custo de quase R$ 7 vendido hoje na bomba. Totalmente falso o argumento.

As frases de Silva e Luna para tentar justificar o que é injustificável:

 “Aí entra a parcela que cabe a Petrobras para cobrir custos de produção e refino do óleo. E, dependendo, é de até 10 anos esse percurso para poder chegar até a refinaria, investimentos, juros da dívida. Vamos lembrar que a empresa está bastante endividada, até curto prazo, em participações governamentais”.

“A segunda parte do preço corresponde a uma série de tributos e outros termos da equação, a distribuição de revenda, o custo da mistura de etanol e anidro, impostos estaduais, ICMS, impostos federais, Cide, Pis, Cofins, e etc. Desses impostos aqui, o que afeta e acaba impactando a parte de todos os outros é o ICMS”.

“Qualquer termo dessa equação que é modificada, gera uma volatilidade no preço dos combustíveis”, defendeu. “Quando há flutuação no preço não significa que a Petrobras teve alteração no preço”.

O líder do PSB, Danilo Cabral (CE), autor do requerimento de convocação de Silva e Luna, apontou que a tese apresentada pelo general “não condiz com a verdade” e defendeu que a política de preços a ser adotada pela empresa nesse momento é parte crucial para o enfrentamento da crise pós-pandemia da Covid-19.

Silva e Luna foi convidado a responder aos deputados sobre a alta do preço dos combustíveis. A responsabilização dos estados acabou suscitando críticas no plenário da Câmara de parlamentares.