94,2% de adolescentes com baixa renda viveram ou presenciaram situações violentas, mostra pesquisa

Última atualização:

Meninas brasileiras de famílias com rendas menores do que dois salários mínimos com idades entre 14 e 19 anos revelam um dia a dia que naturaliza a violência ligada ao sexo..

Ouvidas nas cinco regiões do país, 94,2% delas disseram já ter presenciado ou vivido situações de violência. A pesquisa ouviu 2.589 meninas entre maio e agosto deste ano.

A própria casa não é uma garantia de segurança para essas meninas pobres. A segunda edição da pesquisa Por Ser Menina, feita pela organização não governamental Plan International, indica que o ambiente doméstico é onde as meninas mais sofrem violência física (30,7%), violência sexual (24,7%) e violência psicológica (29,5%). Fundada em 1937, a Plan International atua em 70 países na proteção da infância.

O número não surpreende Lauryen, de 19 anos (a pedido dos pesquisadores, o sobrenome da entrevistada não é usado nesta reportagem). Aos 17 anos, ela acompanhou o drama de uma menina conhecida ser estuprada perto de sua casa, na Zona Leste de São Paulo. Uma outra mulher de sua família foi também abusada sexualmente quando criança. E hoje optou por não ter um companheiro, com medo de que a filha se torne também alvo.

— Sim, ficou a marca. Isso tira a nossa infância. Até hoje há roupas que não consigo vestir. Tenho guardado no armário meu vestido predileto. Tenho medo. Outro dia, estava de uniforme, ainda na escola, quando um cara do nada puxou meu cabelo — relata Lauryen, que hoje trabalha na conscientização de meninas sobre a luta contra o abuso e é auxiliar de escritório.

A distância geográfica não tem poder de diferenciar o drama vivido pelas entrevistadas. Em um 15 dos grupos focais que subsidiaram o levantamento, Vitória, de 14 anos, também moradora da periferia, relatou uma história comum à maioria delas:

(Com informações do Extra)