“CPI da Covid não teve coragem de confrontar militares”

Colunista do Globo, Bernardo Mello Franco critica comissão por não ter ouvido o general Braga Neto, mesmo que o relatório sugira seu indiciamento

SE BRAGA NETTO NEM FOI OUVIDO, POR QUE SERIA INDICIADO?
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“A CPI da Covid apertou políticos, lobistas e empresários que contribuíram para o avanço da pandemia. Faltou a mesma coragem para confrontar militares que colaboraram com o morticínio”, escreve o jornalista Bernardo Mello Franco, em sua coluna no Globo desta quarta-feira.

“A comissão chegou a ouvir o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde. Mas recusou-se a convocar o general Walter Braga Netto, ex-chefe da Casa Civil e atual ministro da Defesa.”

Segundo o jornalista do Globo, “o general deixou sua marca no atraso para comprar vacinas e na demora para levar oxigênio a Manaus. Além disso, comandou a reunião em que a médica Nise Yamaguchi tentou emplacar uma mudança na bula da cloroquina”, lembra o jornalista.

Bernardo acrescenta: “O acanhamento da CPI encorajou Braga Netto a achincalhá-la. Em julho, o general emitiu uma nota em tom de ameaça ao presidente da comissão, Omar Aziz. Ele chamou o senador de “irresponsável” e “leviano” por criticar a participação de militares em malfeitos.”

Renan Calheiros incluiu Braga Netto na lista de pedidos de indiciamento. No relatório que deve ser lido hoje, ele afirma que as “ações e inações” do general “são suficientes para que seja apurada possível prática do crime de epidemia”. No entanto, o general não foi ouvido, o que tornará difícil a acusação contra ele pela CPI.

O jornalista afirmou que, “em conversas reservadas, senadores dizem que a CPI poupou Braga Netto para não melindrar o Exército e não ajudar Jair Bolsonaro a atiçar os quartéis. Se a razão foi essa, conclui-se que o golpismo compensa.”